CentroesteNews
04/07/2025
Sete organizações sociais com atuação histórica na região amazônica apresentaram, nesta sexta-feira (4), um plano de ação para atrair investimentos em conservação, restauração e desenvolvimento sustentável da Amazônia. A proposta foi entregue em Brasília à presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), representada por Ana Toni, diretora executiva do fórum, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).
Intitulado “Ampliando o Financiamento de Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia: Um Roteiro de Ação”, o documento propõe a criação de uma arquitetura financeira climática voltada ao bioma, além de estratégias para fortalecer a economia verde e a capacidade de implementação de projetos sustentáveis na região.
De acordo com Gustavo Souza, diretor sênior de políticas públicas da Conservação Internacional (CI), a ideia é integrar o plano aos debates globais por meio do High Level Climate Champions Office, órgão que articula governos, setor privado e sociedade civil no âmbito da convenção do clima. “Queremos mais visibilidade para a Amazônia e diálogo com setores produtivos e financeiros”, afirmou.
Financiamento insuficiente
O plano parte de um diagnóstico alarmante: apesar de a Amazônia movimentar cerca de US$ 317 bilhões por ano na economia, os investimentos diretos em sua preservação somaram apenas US$ 5,81 bilhões entre 2013 e 2022. O Banco Mundial estima que o valor mínimo necessário para manter o ecossistema saudável é de US$ 7 bilhões por ano.
Ainda segundo dados do banco, apenas 3% dos recursos aplicados foram destinados a soluções baseadas na natureza, enquanto 11% foram voltados à adaptação de infraestrutura. “Não chegamos nem a 10% do necessário para evitar o ponto de não retorno da Amazônia”, alertou Souza, referindo-se ao tipping point, limiar em que a floresta pode colapsar e se transformar em savana, afetando chuvas, espécies e o equilíbrio climático.
Propostas e instrumentos
Entre as propostas destacadas estão o redirecionamento de subsídios de atividades poluentes para a economia verde, rastreamento de cadeias produtivas via satélite, pagamento por serviços ambientais e o enfrentamento à economia ilegal transnacional, como o tráfico de animais e a grilagem de terras públicas.
Uma das apostas para viabilizar essas ações é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que projeta captar US$ 5 bilhões por ano em doações globais — sendo US$ 2 bilhões destinados à floresta amazônica. “Esse valor representa quatro vezes mais do que todo o fluxo financeiro registrado nos últimos 10 anos”, ressaltou Souza.
Declaração Global
A expectativa das organizações é que as propostas resultem em uma Declaração Global pela Amazônia, com compromissos concretos dos países-membros da Convenção do Clima. O objetivo é garantir que o bioma continue desempenhando papel crucial no enfrentamento das mudanças climáticas.
Para James Deustch, diretor da Rainforest Trust, fortalecer os povos indígenas e comunidades locais é essencial. “Eles são os verdadeiros guardiões da floresta e da vida na Terra. A primeira COP do clima realizada na Amazônia precisa deixar um legado de apoio financeiro e político à conservação das florestas tropicais”, concluiu.