O El Niño que se desenvolve no Pacífico equatorial ganhou intensidade rapidamente e já ultrapassou marcas históricas de temperatura antes mesmo do período em que o fenômeno costuma atingir seu auge. Dados recentes apontam que as águas do Pacífico central e leste estão excepcionalmente aquecidas, aumentando a preocupação de cientistas com os impactos sobre o clima global.
Em setembro, as temperaturas da superfície do mar em áreas importantes de monitoramento passaram de 3 °C acima da média. O Met Office confirmou nesta terça-feira (22) que o episódio já superou os níveis observados em eventos anteriores no registro instrumental.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) já havia indicado que o fenômeno poderia se tornar excepcionalmente intenso. Em atualização divulgada em setembro, a entidade apontou que o El Niño deve persistir até o início de 2027 e pode alterar significativamente os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Seus efeitos podem se espalhar para outras regiões por meio de mudanças na circulação atmosférica, influenciando chuvas, secas e temperaturas.
O cenário de 2026 chama atenção porque o fenômeno ocorre sobre um planeta que já está mais quente devido ao aquecimento global causado principalmente pelas atividades humanas. Cientistas, incluindo Friederike Otto, do Imperial College London, alertam que essa combinação pode ampliar os impactos de eventos extremos e aumentar riscos para a saúde, a produção de alimentos e a disponibilidade de água.
As projeções indicam que o El Niño continuará se fortalecendo até o fim do ano, embora a intensidade exata do pico ainda esteja sujeita às atualizações dos modelos climáticos.