Uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 24 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em garimpos de quartzo rutilado no município de Novo Horizonte, na Chapada Diamantina, Bahia.
Durante a fiscalização, foram identificadas lavras subterrâneas com mais de 100 metros de profundidade, algumas sem escoramento adequado e sem supervisão técnica. Os trabalhadores também relataram períodos superiores a um mês sem receber pagamentos, além de remuneração condicionada à quantidade de minério extraído.
Os auditores encontraram ainda uma relação informal em que os garimpeiros eram apresentados como supostos “sócios”. Segundo a fiscalização, porém, havia características de exploração do trabalho. Os responsáveis pelos garimpos ficavam com até 30% do valor bruto da produção, enquanto os valores destinados aos trabalhadores eram divididos entre equipes de até seis pessoas.
O quartzo rutilado extraído na região possui alto valor no mercado de pedras preciosas e é utilizado pela indústria de joias, especialmente no mercado chinês.
Um dos garimpos fiscalizados já havia sido interditado em 2025 devido a irregularidades trabalhistas e condições consideradas de extremo risco pelos auditores, com possibilidade de soterramentos e outros acidentes graves.
Após a operação, a Defensoria Pública da União informou que pretende buscar judicialmente aproximadamente R$ 139 mil em verbas rescisórias e FGTS, além de indenizações por danos morais para os trabalhadores resgatados.
O caso chama atenção para as condições existentes em parte da cadeia de extração de pedras preciosas, que abastece mercados nacionais e internacionais.