CentroesteNews
28/11/2025
O governador Mauro Mendes (União Brasil) descartou, nesta quarta-feira (26), qualquer possibilidade de o Governo de Mato Grosso intervir no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE). A sugestão havia sido levantada pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, diante da crise hídrica e do colapso financeiro que afetam a segunda maior cidade do Estado.
Ao ser questionado pela imprensa, Mendes afirmou inicialmente não ter conhecimento da recomendação, mas deixou claro que não pretende assumir atribuições que, segundo ele, são de responsabilidade exclusiva da administração municipal.
“Várzea Grande enfrenta um problema de muitos anos. Eu, como governador, não posso resolver todos os problemas das prefeituras. Tenho os problemas do Estado para resolver. Senão, todo prefeito que não der conta joga para o governador, e o governador joga para o presidente”, declarou. Mendes reforçou que os prefeitos precisam “assumir suas responsabilidades” e não transferir ao Estado aquilo que é obrigação municipal.
A fala foi interpretada como um recado direto à prefeita Flávia Moretti (PL), que elegeu a solução da falta de água como uma das principais promessas de campanha e tem enfrentado crescente pressão diante da deterioração do abastecimento em diversos bairros.
Mendes também citou a experiência que teve enquanto prefeito de Cuiabá, entre 2013 e 2016, quando levou adiante a concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada. Ele sugeriu que Várzea Grande avalie a mesma alternativa. “Talvez Várzea Grande precise seguir o exemplo de Cuiabá. No final do dia, o cidadão paga pela água e pelo esgoto. E qual é o pior preço? Pagar pouco, pagar muito ou não ter água? O pior é não ter água”, pontuou.
A proposta de intervenção ganhou força após Sérgio Ricardo afirmar que encaminharia ao Ministério Público Estadual (MPE) um pedido formal para que a Justiça avaliasse a possibilidade. A iniciativa se baseia no Art. 1º, inciso XVIII, do Regimento Interno do TCE, que autoriza o Tribunal a representar quando entender necessária uma intervenção estadual.
Mesmo assim, Mendes evitou comentar diretamente a recomendação do conselheiro. “Não conheço os fundamentos que ele utilizou, então não posso emitir opinião. Não sei o que está por trás disso, nem quais são os elementos que ele tem e eu não tenho”, completou.
Sérgio Ricardo tem defendido que a crise hídrica em Várzea Grande já atingiu um nível que exigiria uma resposta semelhante à intervenção decretada pelo Estado na saúde pública de Cuiabá — medida que também provocou forte repercussão política e institucional.




