A proposta que promete mudar a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros, o fim da escala 6×1, avançou no Congresso, mas já nasce cercada por disputas políticas e negociações intensas.
Encampada como prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, garantindo um dia a mais de descanso sem redução salarial. Para o Planalto, trata-se de uma iniciativa com forte impacto social e também político, especialmente em um cenário eleitoral.
O governo decidiu enviar um projeto de lei próprio, buscando maior controle sobre o texto e protagonismo na pauta. A estratégia, porém, não foi bem recebida por todos no Congresso. Na Câmara dos Deputados do Brasil, lideranças avaliam que a discussão deve seguir também por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que ampliaria a participação dos parlamentares e daria mais segurança jurídica à mudança.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
O presidente da Câmara, Hugo Motta, já sinalizou que a Casa pretende avançar com seu próprio ritmo e abordagem. A ideia é entregar a redução da jornada, mas com ajustes que considerem impactos econômicos e operacionais.
Nos bastidores, o clima é de negociação. Setores ligados ao empresariado pressionam por alterações no texto, como a criação de um período de transição para adaptação das empresas e possíveis compensações fiscais. O receio é de que a redução da carga horária aumente custos e leve a demissões ou reajustes de preços.
Por outro lado, o governo e entidades trabalhistas defendem que jornadas mais equilibradas podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e até aumentar a produtividade, criando um ciclo positivo na economia.
O ministro Guilherme Boulos afirmou que o objetivo é aprovar a proposta em até 90 dias, mas o cenário indica que esse prazo pode sofrer ajustes diante das divergências.
Enquanto isso, outras pautas trabalhistas importantes, como a regulamentação de trabalhadores por aplicativos, ficaram em segundo plano e não devem avançar neste ano.
A expectativa agora é que o texto final seja resultado de um “meio-termo” entre governo e Congresso, mantendo a essência da proposta, mas com mudanças para viabilizar sua aprovação.