O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer virar a página das contas públicas. A proposta enviada ao Congresso nesta quarta-feira (15) estabelece uma meta ambiciosa: alcançar um superávit de 0,5% do PIB em 2027, o equivalente a cerca de R$ 73,2 bilhões.
Se o objetivo for cumprido, será o primeiro resultado positivo desde 2022, marcando uma possível mudança de rumo na saúde fiscal do país.
Na prática, isso significa que o governo pretende arrecadar mais do que gastar. Mas o caminho até lá não é tão simples quanto parece.
Pelas regras do novo arcabouço fiscal, existe uma margem de tolerância. Ou seja, mesmo que o resultado fique abaixo da meta, ainda assim poderá ser considerado dentro do esperado. Com essa flexibilidade, o governo poderia ter um superávit menor, ou até um pequeno déficit, sem descumprir formalmente o compromisso.
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Outro ponto importante é que alguns gastos ficaram fora dessa conta. Despesas com precatórios (dívidas judiciais) e investimentos em áreas como saúde, educação e defesa não entram no cálculo da meta fiscal, o que ajuda a aliviar a pressão sobre o resultado final.
Mesmo com essa “folga”, a equipe econômica projeta um cenário mais conservador: um superávit de cerca de R$ 8 bilhões, bem abaixo da meta cheia. Isso indica cautela diante das incertezas econômicas.
Para tentar alcançar esse equilíbrio, o governo aposta em alguns fatores-chave:
- aumento de arrecadação com impostos já aprovados;
- maior entrada de recursos vindos do petróleo, influenciada pelo cenário internacional;
- redução de benefícios fiscais (subsídios tributários);
- e controle mais rígido dos gastos públicos.
Além disso, como houve déficit em anos anteriores, entram em ação mecanismos automáticos que limitam o crescimento de despesas e a concessão de novos benefícios fiscais.
Ainda assim, economistas apontam que o desafio é grande. O Brasil convive com altos gastos obrigatórios e forte pressão sobre o orçamento, especialmente com juros da dívida.
No fim, a meta de 2027 não é apenas um número: ela representa um teste importante para a credibilidade fiscal do país, e pode influenciar diretamente inflação, juros e até o crescimento econômico nos próximos anos.