Um caso de violência doméstica com requintes de crueldade veio à tona, revelando o pesadelo vivido por uma mulher de 39 anos que foi mantida em cárcere privado por quatro meses em Santa Catarina. A vítima, que conseguiu fugir para o Rio Grande do Sul, relata um cenário de controle extremo, agressões e ameaças por parte de seu ex-companheiro, um dentista que agora está sob custódia. O ápice da coação é a revelação de que ela foi obrigada a fazer nada menos que dez tatuagens com o nome dele em seu corpo, sendo nove delas no mesmo dia, sob a farsa de que seriam um “presente de casamento”, conforme explicou a delegada Marcela Smolenaars, da Delegacia da Mulher (Deam) de Esteio.
O calvário da mulher teve fim no início de abril, quando, em um ato de desespero e coragem, aproveitou o momento em que o agressor ingeriu medicamentos para dormir e conseguiu escapar da casa em Itapema, SC. Sem tempo para levar qualquer pertence, ela buscou refúgio no Rio Grande do Sul, onde finalmente pôde registrar um boletim de ocorrência, dando início à investigação da Deam de Esteio. Em seu depoimento, a vítima detalhou o controle sufocante imposto pelo dentista, que incluía a confiscação de seu celular, restrição ao acesso à internet e o monitoramento constante de sua rotina. As agressões físicas, com espancamentos que utilizavam objetos, eram frequentes e acompanhadas de ameaças de morte, deixando ferimentos visíveis por todo o seu corpo. O tatuador responsável pelas artes no corpo da vítima declarou à polícia não ter conhecimento da situação de violência doméstica ou da coerção por trás dos desenhos.
A investigação revelou um histórico preocupante de violência por parte do dentista. Ele já possuía antecedentes por crimes semelhantes contra duas ex-companheiras, que também relataram episódios de controle excessivo, isolamento social, agressões e cárcere privado, desenhando um padrão de comportamento abusivo. Durante a operação na residência do investigado em Itapema, as autoridades apreenderam armas de grosso calibre, máscaras e dispositivos eletrônicos. Todos os bens da vítima foram localizados e prontamente devolvidos a ela, um pequeno alívio diante de tanto sofrimento. Diante da gravidade dos fatos e do risco iminente de novos crimes, a Deam de Esteio solicitou a prisão preventiva do suspeito, que foi prontamente autorizada pela Justiça. Ao ser interrogado, o dentista optou por permanecer em silêncio, enquanto a justiça segue seu curso para garantir que casos como este não fiquem impunes e que outras vítimas encontrem a coragem e o apoio necessários para denunciar.