O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, anunciou nesta terça-feira (11) a renúncia ao cargo após ser alvo da Operação Heritage, da Polícia Federal. Em carta publicada nas redes sociais, ele afirmou que decidiu deixar a função para se dedicar à família, às empresas e à própria defesa na investigação.
A operação apura um suposto esquema envolvendo o desvio de mais de R$ 308 milhões relacionado a um acordo judicial e administrativo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Além de Mauro Carvalho, a investigação tem entre os alvos o ex-governador Mauro Mendes, a ex-primeira-dama Virginia Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro Ulisses Rabaneda, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Fábio Garcia, que havia sido confirmado como candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta, também desistiu da candidatura nesta terça-feira, dias depois de ser alvo da operação.
Na carta de renúncia, Carvalho afirmou que sua saída ocorreu por decisão própria e em conjunto com a família e o governador. Ele destacou que não ocupava cargo público entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período relacionado à tramitação do processo envolvendo a Oi.
O ex-secretário também ressaltou que um pedido de afastamento feito durante a investigação não foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a Corte acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República de que não havia indícios de utilização do cargo para fins ilícitos.
Carvalho afirmou ainda que não foi denunciado nem condenado e que a investigação está em fase inicial. Ele negou participação no acordo com a Oi e disse que não recebeu benefícios financeiros provenientes da negociação.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-secretário voltou a negar irregularidades e declarou que pretende concentrar esforços em sua defesa. Carvalho também classificou sua inclusão na investigação como resultado de sua atuação política e afirmou estar sendo vítima de uma “maldade política”.