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Margem Equatorial: Como se formou e por que é rica em petróleo

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CentroesteNews

24/05/2025

Anna Vitória Bispo

 

A Margem Equatorial brasileira — trecho da costa voltado para o norte do país, próximo à linha do Equador — tem ganhado destaque nos últimos anos por seu potencial para a exploração de petróleo, especialmente na Bacia da Foz do Amazonas. Estima-se que essa região abrigue até 30 bilhões de barris de petróleo, segundo dados da Petrobras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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Formação geológica da Margem Equatorial

Há cerca de 130 milhões de anos, essa área era parte do interior continental de Gondwana, um supercontinente que unia América do Sul, África, Antártida, Austrália e Índia. O litoral norte brasileiro começou a se formar com a separação da América do Sul e da África, iniciada por volta de 130 a 120 milhões de anos atrás, durante o Cretáceo Inferior.

Esse processo gerou fraturas na crosta terrestre (rifts), formando mares interiores e acumulando sedimentos e matéria orgânica — condições ideais para o surgimento de petróleo.

Como o petróleo se forma

O petróleo não vem de dinossauros, mas da decomposição de micro-organismos marinhos, como algas e protozoários. Esses seres morrem, afundam no fundo de lagos e mares, e são soterrados por sedimentos, como argila e silte.

Com o tempo, pressão e calor transformam essa matéria orgânica em hidrocarbonetos — petróleo e gás. Para que se acumulem, é necessário um sistema geológico com:

  • Rocha geradora (com matéria orgânica);

  • Rocha reservatório (porosa, onde o petróleo se acumula);

  • Rocha selante (impermeável, que impede o petróleo de escapar);

  • Trapa geológica (estrutura que aprisiona o petróleo lateralmente).

Sem essa estrutura completa, o óleo pode se perder para o oceano.

Bacias da Margem Equatorial

A região é formada por cinco bacias principais: Foz do Amazonas, Potiguar, Ceará, Barreirinhas e Pará-Maranhão. A formação do petróleo nessas bacias ocorreu entre 145 e 90 milhões de anos atrás, com destaque para folhelhos (lamas compactadas) que funcionam como rochas geradoras.

Formações geológicas como Codó, Limoeiro, Pendência e Paracuru são algumas das principais produtoras em potencial.

O papel do Rio Amazonas

Embora o curso atual do Rio Amazonas seja recente (entre 10 milhões e 2,5 milhões de anos), seus sedimentos — que chegam a 9 km de profundidade em certos pontos — ajudaram a gerar a pressão e o calor necessários para transformar a matéria orgânica em petróleo. No entanto, o rio não participou da formação das rochas geradoras.

Petróleo e impacto ambiental

A exploração de petróleo libera carbono que ficou armazenado por milhões de anos no subsolo. Esse carbono, na forma de CO₂, contribui para o aquecimento global. Geólogos alertam que, se nada for feito, o clima da Terra pode voltar ao padrão de 40 milhões de anos atrás, sem calotas polares, até o final do século XXI.

Além disso, com o ritmo atual de extração, as reservas conhecidas podem se esgotar em menos de 15 anos, segundo estimativas da Petrobras de 2024.

 

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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