O vice-governador Otaviano Pivetta afirmou, nesta terça-feira (31), que Mato Grosso está prestes a iniciar um novo ciclo econômico baseado na industrialização, movimento que deve transformar o perfil produtivo do Estado, aumentar a competitividade regional e gerar empregos mais qualificados com remunerações superiores às atuais.
Ao assumir temporariamente o comando do Executivo, Pivetta defendeu que Mato Grosso precisa superar a dependência histórica do setor primário, responsável por grande parte do PIB estadual, e avançar para a transformação industrial das matérias-primas, agregando valor dentro do próprio território.
Agroindústria deve puxar nova fase econômica
O vice-governador destacou que a expansão do parque industrial ocorrerá principalmente pela agroindustrialização, com instalação de novas plantas em diversas regiões. Entre os setores que devem impulsionar essa transição, Pivetta citou:
- Novas usinas de etanol, ampliando a produção de biocombustíveis;
- Fortalecimento da cadeia produtiva da soja e do milho, com aumento do processamento local;
- Expansão de unidades de esmagamento, fábricas de proteína vegetal e indústrias derivadas;
- Maior estímulo à exportação de produtos já industrializados, reduzindo a dependência de commodities in natura.
Segundo especialistas, cada etapa de agregação de valor cria, proporcionalmente, mais empregos formais e melhora a renda média da população, já que exige mão de obra técnica e tecnológica mais qualificada.
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Empregos mais qualificados e melhor remunerados
Pivetta avaliou que a industrialização pode corrigir um dos principais gargalos do mercado de trabalho mato-grossense: a predominância de vagas com baixa escolaridade e salários reduzidos, típicos das atividades agrícolas e de serviços básicos.
Com a instalação de novas indústrias, a expectativa é que o Estado passe a ofertar oportunidades nas áreas de:
- engenharia e tecnologia industrial,
- química e biocombustíveis,
- logística e comércio exterior,
- manutenção e automação,
- administração e gestão industrial.
Essas vagas, tradicionalmente, possuem maiores salários e mais estabilidade.
Infraestrutura ainda é desafio
Apesar do otimismo, Pivetta reconheceu que o Estado ainda enfrenta carências estruturais, especialmente em:
- estradas e logística, essenciais para o escoamento da produção transformada;
- unidades de ensino técnico e superior, necessárias para formação da mão de obra industrial;
- saneamento e energia, que impactam diretamente o custo operacional das indústrias.
O governo projeta ampliar os investimentos nesses setores, com previsão de destinar entre 15% e 20% do orçamento estadual para obras e serviços.
Mudança de perfil produtivo
Se concretizado, o ciclo industrial pode reposicionar Mato Grosso no cenário nacional, permitindo que o Estado deixe de ser apenas fornecedor de commodities e passe a exportador de produtos com alto valor agregado — modelo que amplia receitas, aumenta arrecadação e fortalece o desenvolvimento regional.