Candidato do Avante defendeu Donald Trump e afirmou que a pandemia teria sido “criada” e “fabricada”, declaração que contraria as evidências científicas disponíveis
Durante um debate realizado pela TV Vila Real, na quinta-feira (17), o candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante), defendeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fez declarações sem respaldo científico sobre a origem da pandemia de Covid-19.
O comentário ocorreu durante uma discussão sobre as relações comerciais e diplomáticas do Brasil com outras nações. O debate envolveu os candidatos Carlos Fávaro (PSD) e Margareth Buzetti (PP), que divergiram sobre a política tarifária adotada pelo governo norte-americano.
Ao ser questionado sobre uma declaração de Fávaro a respeito de Trump, Galvan afirmou que o mundo precisaria de alguém para “moralizá-lo” e associou o presidente americano a uma suposta criação deliberada da pandemia. O candidato também declarou que Trump estaria promovendo a liberdade e os direitos das pessoas.
A hipótese de que a Covid-19 teria sido deliberadamente criada ou fabricada não é sustentada pelas evidências científicas disponíveis. Em sua avaliação divulgada em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que as informações analisadas favoreciam a possibilidade de transmissão zoonótica, embora tenha reconhecido que a origem do vírus ainda não estava definitivamente estabelecida. Não foram encontradas evidências de que o SARS-CoV-2 tenha sido deliberadamente manipulado ou fabricado.
Debate também retoma a gestão da pandemia no Brasil
As declarações de Galvan reacenderam a discussão sobre a condução do governo federal durante a pandemia, especialmente no período da presidência de Jair Bolsonaro.
O Brasil registrou centenas de milhares de mortes por Covid-19, e a atuação do governo federal foi alvo de críticas e investigações. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, concluída em 2021, apontou possíveis irregularidades na gestão da crise sanitária e recomendou o indiciamento de autoridades e outras pessoas. As conclusões da comissão, entretanto, representavam suas apurações e recomendações, não uma condenação judicial.
Entre os pontos investigados estavam a aquisição de vacinas, a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença e a resposta federal à crise de saúde no Amazonas.
Em Mato Grosso, os dados consolidados pelo Brasil.IO citados no material apontam 14.854 mortes confirmadas por Covid-19 desde o início da pandemia, além de mais de 724 mil casos registrados. Os números dimensionam o impacto da doença no estado que Galvan pretende representar no Senado.