Os desdobramentos do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) acabaram influenciando também a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1. Segundo avaliação de integrantes do governo federal e de senadores ouvidos pela coluna, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitaram o momento de forte tensão na Corte para tentar adiar a votação da PEC no plenário do Senado.
A proposta havia avançado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (2), quando foi aprovada sem grandes dificuldades. A expectativa era de que o texto pudesse seguir rapidamente para análise dos demais senadores.
No entanto, após a aprovação na comissão, Flávio Bolsonaro teria procurado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pedir que a votação fosse adiada. De acordo com o relato, o senador argumentou que a análise da PEC neste momento poderia interferir no equilíbrio da disputa eleitoral.
Diante da pressão, Alcolumbre afirmou que a proposta deverá ser votada ainda em 2026, mas somente depois das eleições.
A mudança ocorre em meio à crise provocada pelos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master e aos conflitos envolvendo ministros do STF. O caso passou a ocupar grande espaço no noticiário e alterou a prioridade de debates políticos em Brasília.
Com o adiamento, a discussão sobre o fim da escala 6×1 fica para depois do período eleitoral, apesar de a PEC já ter superado uma etapa importante de sua tramitação no Senado.
A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho dos brasileiros e tem sido defendida por parlamentares e movimentos que buscam reduzir a carga semanal e ampliar o período de descanso dos trabalhadores. O texto, porém, ainda precisa passar por novas etapas antes de eventualmente entrar em vigor.