CentroesteNews
20/08/2025
O transporte de animais vivos foi assunto de audiência pública no Conselho de Meio Ambiente nesta semana. Durante o debate público, o estudo da economista Maira Luiza Spanholi recebeu destaque por trazer informações técnicas e consistentes para embasar a discussão. Além de economista, Maira é doutora em Ciências Ambientais e professora na Universidade Estadual de Mato Grosso.
Conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior, o ano de 2024 registrou mais de 1 milhão de animais vivos, dos quais a maioria foi embarcada através de transportes marítimos. Não à toa, o Brasil figura em primeiro lugar no ranking de exportação de animais vivos por essa via.
O ponto de preocupação, e que também ensejou o debate da audiência pública sobre transporte de animais vivos, são as condições em que essa travessia é feita e os impactos econômicos ambientais. Um dos aspectos da discussão, por exemplo, seria o sofrimento a que os animais são submetidos quando embarcados.
O confinamento durante o transporte de animais vivos pode durar por dias. Afinal, os países de destino geralmente estão distantes, comumente no Oriente Médio e Norte da África. Durante a viagem, não é incomum que os animais sejam submetidos a condições insalubres e algumas privações. Para além disso, pode representar riscos para os humanos nos casos em que essas condições facilitam a proliferação de doenças, por exemplo.
É necessário banir o transporte de animais vivos pelo mar?
Os argumentos apresentados pelos defensores da causa se firmaram sobre a pauta da defesa animal, o risco de acidentes e a viabilidade econômica. Para isso, reuniu personalidades representantes de diversos órgãos envolvidos ou interessados na causa.
Assumindo papel de destaque, a economista matogrossense apresentou um estudo consistente sobre os impactos da prática de transporte de animais vivos na economia. A “Análise dos Impactos Socioeconômicos da Proibição da Exportação de Bovinos Vivos no Brasil” sugeriu que o Brasil teria muito mais a ganhar com o envio da carne já refrigerada.
Ao mudar o foco da exportação em questão, a expectativa seria de um aumento do valor agregado para mais de R$ 1,5 bilhão. Além disso, a substituição da prática poderia gerar mais de 5 mil novos postos de trabalho e elevar a arrecadação tributária em, pelo menos, R$ 600 milhões.
A proposta de proibição já é uma velha conhecida do plenário. Entretanto, ao que parece, esse não é um ato simples, visto que representa uma porcentagem de lucro maior do que a negociação dos animais em seu próprio país. Por essa razão, a perda do espaço no mercado seria sentida, de modo que a opção poderia ser uma terceira via, como a melhoria do sistema de transporte de animais vivos.