Uma nova análise sobre uma explosão que deixou 32 pessoas feridas no Bahrein levanta dúvidas sobre a versão oficial divulgada inicialmente pelos governos locais e dos Estados Unidos.
O incidente aconteceu em 9 de março, no bairro residencial de Mahazza, na ilha de Sitra, próxima à capital Manama. Na época, autoridades atribuíram a explosão a um ataque do Irã, em meio à escalada de tensões na região.
No entanto, uma investigação analisada pela Reuters, com base em estudos de pesquisadores do Middlebury Institute, aponta outra possibilidade: o impacto pode ter sido causado por um míssil interceptador disparado por um sistema de defesa aérea Patriot operado pelos Estados Unidos.
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O que dizem as análises
Segundo os especialistas, o míssil teria sido lançado de uma bateria localizada a cerca de 7 quilômetros do local da explosão. A conclusão foi baseada em:
- Vídeos que mostram o projétil voando em baixa altitude
- Imagens de satélite comerciais
- Análise da trajetória e do padrão da explosão
Um dos pesquisadores classificou os indícios como “praticamente incontestáveis”.
As imagens indicam que o míssil pode ter descido antes de explodir no ar, provocando danos em residências e ferindo civis, incluindo crianças, algumas em estado grave.
Versão oficial em xeque
A conclusão contraria a versão inicial dos governos do Bahrein e dos Estados Unidos, que responsabilizavam o Irã pelo episódio.
O caso ocorre em um contexto de forte tensão regional, com ataques e contra-ataques envolvendo países que abrigam bases militares norte-americanas.
Região estratégica e vulnerável
O bairro atingido fica próximo a uma das principais refinarias de petróleo do país, em Al Ma’ameer, que também foi alvo de um ataque com drone atribuído ao Irã no mesmo período.
Esse cenário aumenta a complexidade do caso, já que diferentes ações militares ocorreram quase simultaneamente na região.
Impacto e questionamentos
Se confirmada, a hipótese levanta preocupações sobre os riscos de sistemas de defesa em áreas urbanas densamente povoadas, especialmente em zonas de conflito.
O episódio também reforça como, em guerras modernas, nem sempre é simples identificar com precisão a origem de ataques, o que pode gerar versões conflitantes e dificultar a responsabilização.