O Cerrado brasileiro perdeu, em média, o equivalente a 30 piscinas olímpicas de água por minuto ao longo de 18 anos, segundo uma análise inédita da Ambiental Media. O levantamento aponta uma redução de 27% na vazão das seis principais bacias hidrográficas do bioma entre as décadas de 1970 e 2010.
A perda de água é tão expressiva que o volume perdido em apenas 24 horas seria suficiente para abastecer todo o Brasil durante cerca de três dias e meio.
O cenário é resultado de uma combinação preocupante de fatores. Entre 1970 e 2010, a quantidade de chuvas na região caiu 21%, enquanto a perda de água das plantas e do solo para a atmosfera aumentou 8% devido ao aumento das temperaturas.
Ao mesmo tempo, a demanda por água cresceu, impulsionada principalmente pela expansão da agricultura irrigada. Na bacia do São Francisco, por exemplo, a área destinada ao cultivo de soja aumentou cerca de 70 vezes.
A análise também considerou dados do MapBiomas sobre as mudanças no uso e na ocupação do solo ao longo de 37 anos. Nesse período, a vegetação nativa diminuiu 22% nas seis bacias analisadas. Já a área ocupada pela soja passou de 620,7 mil hectares, em 1985, para 12 milhões de hectares, em 2022.
As mudanças climáticas agravam ainda mais o problema. O aumento generalizado da evapotranspiração potencial, processo pelo qual a água do solo e das plantas é transferida para a atmosfera, contribui para a perda de umidade do bioma.
- Considerado um dos principais berços das águas do Brasil, o Cerrado desempenha papel fundamental na manutenção de rios, nascentes e grandes bacias hidrográficas. A redução de sua disponibilidade hídrica representa um alerta não apenas ambiental, mas também para a agricultura, o abastecimento e o equilíbrio climático do país.