A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, aparece em registros oficiais como beneficiária de programas de assistência social que posteriormente passou a questionar publicamente.
Segundo dados do Portal da Transparência citados pelo Metrópoles, pagamentos vinculados ao nome da candidata somam cerca de R$ 21 mil desde 2018, com exceção de 2024.
Barclay teria começado a receber o Bolsa Família aos 18 anos, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Na época, seu acesso ao benefício estava relacionado ao Cadastro Único (CadÚnico), utilizado pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda e direcionar políticas sociais.
A partir de 2025, com maior atuação nas redes sociais e posicionamentos voltados ao público de direita, Sophia passou a criticar o modelo dos programas de transferência de renda. Em uma publicação feita em setembro daquele ano, questionou beneficiários do Bolsa Família e afirmou que algumas pessoas poderiam se acomodar com o auxílio. No mesmo mês, registros públicos apontam um pagamento de R$ 600 em seu nome.
As críticas continuaram em 2026. Em julho, a candidata se posicionou contra o Gás do Povo e defendeu a redução do preço do botijão em lugar da concessão de subsídios. Conforme documentos citados pelo Metrópoles, entretanto, ela havia recebido um benefício relacionado ao gás em março.
Durante a pré-campanha, Sophia também apresentou uma proposta de mudança nas regras do Bolsa Família. A ideia prevê a realização de serviços comunitários por beneficiários considerados aptos ao trabalho e que não tenham filhos menores.
Candidata contesta irregularidade
Procurada pelo Metrópoles, a assessoria de Sophia Barclay afirmou que ela não é contrária à assistência social, mas defende que os programas funcionem como apoio temporário para as famílias.
Sobre os pagamentos identificados nos registros públicos, a equipe declarou que a candidata desconhecia a existência dos benefícios em seu nome e atribuiu a situação ao fato de seus dados constarem no CadÚnico de um familiar.
A assessoria também negou qualquer tentativa de ocultar renda ou de receber benefícios de maneira irregular.
Os registros citados na reportagem, por si só, não comprovam irregularidade no recebimento dos benefícios. A situação depende da análise das condições cadastrais e dos critérios de elegibilidade aplicáveis a cada período.