CentroesteNews
28/01/2026
Uma comunidade indígena localizada no norte do Peru, na região de Bellavista Callarú, vive um cenário de isolamento extremo e abandono do poder público, segundo denúncia feita por seu principal líder comunitário, Desiderio Flores Ayambo. Diante da ausência de políticas públicas básicas, o grupo chegou a ameaçar romper vínculos com o Estado peruano e buscar integração com o Brasil.
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De acordo com Ayambo, a comunidade estabeleceu um prazo de 30 dias para que o governo do Peru apresente soluções concretas nas áreas de segurança, saúde, educação e infraestrutura. Caso contrário, a população local afirma que seguirá discutindo alternativas para garantir sobrevivência e dignidade, inclusive a aproximação com países vizinhos.
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A região é fortemente impactada pelo narcotráfico, que se aproveita da fragilidade institucional e da ausência de forças de segurança. Escolas funcionam de forma precária, o acesso a atendimento médico é limitado e não há investimentos contínuos do Estado. A situação econômica também reflete o abandono: a moeda peruana praticamente não circula, sendo substituída pelo real brasileiro e pelo peso colombiano, utilizados nas transações do dia a dia.
Para os moradores, a falta de presença efetiva do Estado compromete não apenas a segurança, mas também a identidade nacional da região. “Vivemos esquecidos. Não há governo aqui”, resume o líder comunitário, ao destacar que a população depende quase exclusivamente de relações transfronteiriças para sobreviver.
O caso chama atenção para os desafios enfrentados por comunidades indígenas em áreas de fronteira na América do Sul, onde o vazio estatal acaba sendo ocupado por atividades ilegais e onde direitos básicos permanecem distantes da realidade cotidiana.