A carne bovina brasileira está ampliando sua presença no mercado chinês e agora mira um novo polo estratégico além do tradicional eixo Pequim-Xangai: a megacidade de Chongqing, considerada uma das maiores e mais populosas da China.
Com cerca de 32 milhões de habitantes, Chongqing é conhecida pelo tradicional hotpot chinês, prato extremamente popular que utiliza grandes quantidades de carne bovina, vísceras e cortes bovinos amplamente exportados pelo Brasil. O perfil de consumo da cidade transformou a região em um dos principais alvos da indústria frigorífica brasileira.
O interesse do setor faz sentido diante do tamanho do mercado chinês. Atualmente, a China consome aproximadamente 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano, enquanto sua produção interna gira em torno de 8 milhões de toneladas, abrindo espaço para importações em larga escala.
O Brasil consolidou nos últimos anos a posição de principal fornecedor de carne bovina para os chineses. Somente em 2025, o país exportou mais de 1,6 milhão de toneladas da proteína para a China, reforçando a dependência chinesa da produção agropecuária brasileira.
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Dentro desse cenário, Chongqing ganhou destaque. A cidade importou quase R$ 3 bilhões em carne bovina brasileira no último ano, demonstrando o crescimento da demanda local e o potencial de expansão para os frigoríficos nacionais.
Na última semana, representantes de 21 frigoríficos participaram do evento The Beef and Road, realizado em Chongqing e organizado pela Abiec em parceria com a ApexBrasil. O encontro reuniu exportadores brasileiros, importadores chineses e empresas do setor alimentício asiático para fortalecer relações comerciais e ampliar oportunidades de negócios.
Mais do que ampliar volume de exportações, a estratégia brasileira agora busca agregar valor ao produto nacional no mercado asiático. A intenção dos exportadores é fortalecer a imagem da carne brasileira junto ao consumidor chinês, construindo reconhecimento de marca e posicionando o produto como referência de qualidade e segurança alimentar.
Especialistas do agronegócio avaliam que essa nova fase representa uma mudança importante na estratégia comercial brasileira. Em vez de atuar apenas como fornecedor de commodity, o setor tenta avançar para um modelo que valorize diferenciação, rastreabilidade e branding internacional.
O movimento também reforça a importância da China para o agronegócio brasileiro. Atualmente, o país asiático é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, soja e diversas commodities agrícolas, tornando-se peça central para o crescimento do setor pecuário nacional.