O número de brasileiros que decidiram trocar o Brasil pelo Paraguai atingiu um patamar histórico em 2025. Dados do governo paraguaio mostram que mais de 23 mil brasileiros solicitaram residência permanente no país apenas neste ano, consolidando o Brasil como a principal nacionalidade entre os estrangeiros que buscam se estabelecer em território paraguaio.
O volume representa mais da metade dos 40,6 mil pedidos registrados pelo Paraguai e supera com ampla vantagem o segundo colocado da lista, a Argentina, que contabilizou cerca de 4,3 mil solicitações. O crescimento impressiona especialmente quando comparado aos dados de cinco anos atrás: o fluxo migratório de brasileiros mais do que dobrou no período.
Nas redes sociais, vídeos e relatos sobre “recomeços” no Paraguai vêm se multiplicando. Muitos conteúdos destacam baixo custo de vida, menor carga tributária, preços mais acessíveis de imóveis e alimentos, além de oportunidades para empreendedores e investidores. A proximidade cultural e geográfica também facilita a adaptação de milhares de famílias.
Especialistas, porém, alertam que a mudança nem sempre corresponde às expectativas vendidas na internet. Apesar do crescimento econômico recente do Paraguai e da estabilidade monetária em comparação com o Brasil, o país ainda enfrenta desafios estruturais importantes nas áreas de saúde pública, educação e mercado de trabalho formal.
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Entre os principais destinos dos brasileiros estão cidades próximas à fronteira, como Ciudad del Este, além da capital Assunção e municípios em expansão imobiliária voltados para estrangeiros. Muitos migrantes trabalham remotamente para empresas brasileiras ou atuam no comércio, agronegócio e setor de serviços.
Outro fator apontado por pesquisadores é o componente político e econômico que influencia a decisão de saída do Brasil. Parte dos brasileiros relata preocupação com alta tributação, custo de vida elevado, insegurança jurídica e polarização política. Ao mesmo tempo, o Paraguai vem implementando políticas para atrair investidores estrangeiros, oferecendo processos migratórios relativamente rápidos e incentivos fiscais.
Ainda assim, especialistas em migração ressaltam que viver no exterior exige planejamento financeiro, regularização documental e adaptação cultural. Questões como acesso ao sistema de saúde, validação profissional, idioma e estabilidade de renda podem se tornar obstáculos para quem decide mudar sem preparação adequada.
Economistas também observam que o movimento reflete uma tendência global de mobilidade regional na América do Sul, impulsionada pela digitalização do trabalho e pela busca por países com custos menores e maior previsibilidade econômica.
Enquanto isso, o Paraguai consolida sua posição como um dos principais destinos de brasileiros na América Latina, em um fenômeno migratório que continua crescendo e chamando atenção de autoridades e especialistas da região.