Centroeste News
26/01/2026
O Brasil optou por se abster na votação realizada nesta sexta-feira (23) no Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre uma resolução que condena as violações de direitos humanos no Irã. A medida aprovada determina a abertura de uma investigação internacional sobre a repressão aos protestos que têm tomado o país persa nos últimos meses. Com 25 votos a favor, 7 contrários e 14 abstenções, incluindo a brasileira, o texto recebeu ampla aprovação durante uma sessão de emergência convocada por países como Islândia, Reino Unido, Alemanha, Moldávia e Macedônia do Norte.
Embora tenha se mantido neutro na decisão final, o Brasil condenou publicamente o uso de força letal pelas autoridades iranianas contra manifestantes pacíficos. Em Genebra, o embaixador Tovar da Silva Nunes classificou como preocupantes as prisões arbitrárias, os ataques direcionados a crianças e os bloqueios da internet. Segundo ele, essas ações representam graves violações à liberdade de expressão e ao acesso à informação. Entretanto, justificou a abstenção brasileira como uma posição de respeito à soberania do povo iraniano, afirmando que apenas os próprios cidadãos do Irã têm o direito de decidir os rumos do país.
O diplomata também reforçou a rejeição brasileira a sanções econômicas unilaterais contra o Irã, argumentando que essas medidas intensificam as crises sociais e econômicas que alimentam as manifestações em curso. Desde o final de dezembro, os protestos começaram motivados pelo alto custo de vida, mas rapidamente se transformaram em um movimento nacional contra o regime islâmico. Relatórios de organizações internacionais e grupos independentes denunciam o uso de força letal, detenções em massa e restrições severas ao acesso à internet.
O governo iraniano rejeitou a resolução da ONU, chamando-a de interferência em seus assuntos internos. Países como China, Cuba, Egito e Paquistão também votaram contra o texto, acusando a medida de extrapolar o mandato do conselho. Enquanto isso, a decisão brasileira de se abster continua provocando debates sobre o papel do país em questões globais e de direitos humanos.




