CentroesteNews
20/05/2025
Anna Vitória Bispo
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta segunda-feira (19) que o Brasil poderá retomar o status de país livre de gripe aviária — e, com isso, normalizar as exportações de carne de frango — caso nenhum novo caso da doença seja registrado nos próximos 28 dias.
“Cumprindo o bloqueio e rastreamento adequados, e se não houver novos casos, o Brasil poderá, com segurança, declarar-se livre da gripe aviária novamente”, afirmou o ministro.
A medida segue o prazo científico de 28 dias, que corresponde ao ciclo do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP).
Primeiro caso em aves comerciais
O alerta foi acionado após o primeiro caso de IAAP em aves comerciais no Brasil, detectado em uma granja de matrizes no município de Montenegro (RS), na última sexta-feira (16). Até então, os casos registrados no país eram em aves silvestres ou de subsistência.
Apesar disso, o ministério reforça que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos. O risco de infecção humana é considerado baixo e geralmente está ligado a contato direto com aves contaminadas.
Impacto nas exportações
Após a confirmação do caso, China, União Europeia e Argentina suspenderam temporariamente as compras de carne de frango brasileira — mesmo que o foco tenha sido regional. As restrições duram, inicialmente, 60 dias, mas afetam todo o território nacional em função de cláusulas de precaução presentes nos acordos comerciais.
Fávaro destacou que a retomada das exportações será gradual, mesmo com a reclassificação do status sanitário. Alguns países devem manter exigências adicionais e pedidos de esclarecimento.
“Aqueles que suspenderam o Brasil inteiro, provavelmente vão restringir apenas ao Rio Grande do Sul ou ao município de Montenegro”, explicou.
China estava prestes a retomar compras
O ministro também revelou que a China estava prestes a reabrir o mercado para carne de frango do RS, após suspensões anteriores por conta da doença de Newcastle. Durante a missão do presidente Lula ao país, a agência aduaneira chinesa (GACC) sinalizou estar satisfeita com os relatórios técnicos.
“Infelizmente, a restrição agora veio por outro motivo”, lamentou Fávaro.