CentroesteNews
08/07/2025
As associações Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos) protocolaram nesta segunda-feira (7) um pedido de anistia coletiva à Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos, para pessoas LGBTQIA+ perseguidas durante a ditadura militar (1964–1985).
O pedido destaca episódios como as operações Tarântula, Rondão e Sapatão, conduzidas em São Paulo na década de 1980, que resultaram em prisões arbitrárias, torturas e exílio de pessoas LGBTQIA+, especialmente travestis, mulheres trans e lésbicas. A denúncia é assinada por Bruna Benevides, presidente da Antra, com apoio de alunos da UnB e orientação da professora Lívia Gimenes Dias da Fonseca.
A ação pede o reconhecimento do Estado brasileiro pela perseguição, indenizações, criação de memoriais, anistia oficial e revisão de legislações da época. Também propõe a renomeação da 1ª Delegacia Seccional de Polícia Centro, em São Paulo, hoje batizada com o nome de José Wilson Ricchetti, delegado que liderou operações de “limpeza” contra a população LGBTQIA+.
Além da violência policial, a denúncia menciona a censura cultural que afetou artistas como Cassandra Rios, autora que teve 36 livros proibidos, e a repressão a shows de travestis. O documento também destaca o papel homofóbico da imprensa da época, que associava pessoas LGBTQIA+ ao crime e à aids.
Para Benevides, a ação representa um passo fundamental na valorização da memória e do envelhecimento da população LGBTQIA+, e pode representar um marco histórico:
“A anistia pode ser um instrumento de justiça para as travestis presas injustamente e uma reparação simbólica à nossa comunidade.”