CentroesteNews
02/09/2025
O Brasil registrou uma redução histórica de 71,8% nas áreas atingidas por queimadas florestais em 2025, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa/UFRJ). Entre janeiro e agosto deste ano, foram queimados 4,05 milhões de hectares, contra 14,37 milhões de hectares no mesmo período de 2024, quando o país viveu o pior cenário já monitorado desde 2017.
A diferença representa uma queda de mais de 10 milhões de hectares queimados em apenas um ano e reflete tanto a influência de condições climáticas mais favoráveis quanto a adoção de estratégias de mitigação.
O impacto do El Niño e a mudança em 2025
Em 2024, o Brasil enfrentou uma das secas mais intensas da década, agravada pelo fenômeno climático El Niño, que elevou o risco de incêndios em todos os biomas. O resultado foi devastador: 30,8 milhões de hectares destruídos pelo fogo ao longo do ano, um aumento de 79% em relação a 2023.
O Cerrado foi o bioma mais prejudicado, com 9,7 milhões de hectares perdidos, seguido por Pantanal (1,9 milhão), Mata Atlântica (1 milhão), Caatinga (330 mil) e Pampa (3,4 mil).
Já em 2025, com o enfraquecimento do El Niño e chuvas mais regulares, a tendência se inverteu. “A gente está tendo uma influência muito menor do El Niño, então os fatores climáticos estão mais favoráveis para que a gente consiga ter uma redução na quantidade de incêndios florestais no Brasil como um todo”, explicou Charles Dayler, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de Brasília (UnB).
Estratégias de prevenção e manejo de fogo
Além da melhora no clima, especialistas destacam a importância de ações preventivas. Entre elas, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada recentemente, que regulamenta o uso planejado do fogo como ferramenta de prevenção.
Essa técnica consiste em queimar pequenas áreas de forma controlada, criando barreiras naturais que dificultam a propagação de grandes incêndios. Segundo Dayler, a estratégia aumentou a resiliência ambiental e reduziu o risco de destruição em larga escala.
Outras medidas incluem a abertura de aceiros florestais, a intensificação da fiscalização em áreas críticas e campanhas de conscientização junto a produtores rurais e comunidades próximas a unidades de conservação.
Redução histórica e perspectivas
De janeiro a agosto de 2025, o Brasil registrou o menor número de hectares queimados desde 2017, quando a UFRJ começou a consolidar as estatísticas. O dado mais próximo foi em 2018, com 4,75 milhões de hectares queimados.
Para especialistas, o desafio agora é manter as medidas de prevenção mesmo em anos de clima mais favorável. “O essencial é a continuidade das estratégias, seja na execução de aceiros, no manejo controlado ou no monitoramento por satélite. Só assim vamos evitar que a tragédia de 2024 se repita”, reforçou Charles.