O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deixou nesta quinta-feira (2/4) o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para disputar as eleições de 2026, fez uma das declarações mais incisivas de sua trajetória recente. Segundo ele, figuras que defendem regimes autoritários não deveriam sequer participar da disputa eleitoral no Brasil.
A fala ocorre em meio ao avanço do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas — herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e inelegível até 2060.
Democracia x Autoritarismo: o recado político de Alckmin
Durante o balanço de sua gestão no MDIC, Alckmin foi perguntado sobre o cenário eleitoral e o crescimento de Flávio Bolsonaro. Em resposta, afirmou:
“Quem defende ditadura não deveria ser candidato. Quem não acredita no povo, por que se candidata?”
O vice-presidente reforçou que a disputa presidencial deve ser marcada pela comparação entre dois modelos de governo:
- Democracia, recuperada após anos de tensão institucional
- Ditadura e autoritarismo, segundo ele associados a grupos que tentam relativizar ataques às instituiçõe
A fala ecoa a narrativa do governo Lula, que busca reforçar o legado da “defesa da democracia” desde os atos golpistas de janeiro de 2023.
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Campanha só começa de verdade em agosto, diz vice-presidente
Alckmin minimizou o peso das pesquisas atuais, afirmando que a largada oficial da campanha — prevista para 16 de agosto — é o momento decisivo:
“Pesquisa é momento. O que vai valer mesmo é depois que começa a campanha eleitoral.”
Segundo ele, apenas nesse período o eleitor conseguirá comparar resultados, propostas e modelos de governo.
Candidaturas múltiplas e o caso Caiado
Ao ser questionado sobre a entrada do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pelo Planalto, Alckmin avaliou como natural:
“Um país com grande pluralidade partidária terá muitos candidatos.”
A declaração indica que Alckmin vê a fragmentação como parte do processo democrático, enquanto reforça o contraste entre “defesa da democracia” e “saudosismo autoritário”.
O impacto político da fala
A manifestação de Alckmin marca a intensificação do discurso do governo diante de um pleito considerado um dos mais polarizados desde a redemocratização.
A fala também posiciona claramente o vice-presidente como peça-chave na estratégia de Lula para 2026, especialmente diante do crescimento das candidaturas do campo conservador.