As vantagens competitivas do Brasil na produção de terras raras podem colocar o país em uma posição estratégica diante de uma possível transformação no mercado global desses minerais.
A avaliação é de Ryan Castilloux, fundador e diretor-presidente da Adamas Intelligence, em entrevista ao InfoMoney. Segundo o especialista, o cenário internacional pode caminhar para a formação de dois grandes mercados: de um lado, a China; do outro, países que buscam reduzir a dependência chinesa na cadeia de minerais críticos.
Nesse contexto, o Brasil aparece como um potencial fornecedor relevante. O país possui reservas e ocorrências de terras raras e também apresenta características geológicas que podem favorecer a exploração desses minerais.
Um dos pontos de interesse está nas chamadas argilas iônicas, depósitos que podem concentrar elementos de terras raras e que vêm despertando atenção do setor de mineração. Esses minerais são utilizados em tecnologias como equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e outros produtos de alta tecnologia.
O possível avanço brasileiro, porém, depende de investimentos em pesquisa, mineração, processamento e infraestrutura. Ter reservas minerais não significa, por si só, dominar toda a cadeia de produção, especialmente as etapas de separação e processamento dos elementos.
A disputa por terras raras ganhou importância estratégica nos últimos anos devido ao papel desses minerais em setores tecnológicos e industriais. A possibilidade de diversificação do fornecimento pode aumentar a relevância do Brasil no mercado internacional.