Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) indica que experiências de estresse durante a adolescência podem provocar alterações cerebrais persistentes na vida adulta. A pesquisa foi publicada na revista científica Cerebral Cortex.
Os cientistas compararam os efeitos do estresse em ratos adolescentes e adultos e identificaram maior vulnerabilidade entre os animais mais jovens, período em que o cérebro ainda passa por importantes etapas de desenvolvimento.
Os ratos submetidos ao estresse durante a adolescência apresentaram mudanças persistentes no córtex pré-frontal medial, região relacionada ao controle das emoções, à tomada de decisões e ao comportamento. Nos animais adultos submetidos ao mesmo protocolo, as alterações observadas foram principalmente temporárias.
A pesquisa avaliou animais adolescentes entre os dias 31 e 40 após o nascimento e adultos entre os dias 65 e 74. A atividade cerebral foi analisada semanas depois da exposição ao protocolo de estresse.
Os pesquisadores concentraram a análise no equilíbrio entre os sistemas glutamatérgico e GABAérgico. Enquanto os neurônios glutamatérgicos aumentam a atividade cerebral, os GABAérgicos ajudam a reduzi-la, funcionando como mecanismos de “acelerador” e “freio”.
Segundo os cientistas, alterações nesse equilíbrio e nas oscilações cerebrais também estão associadas a transtornos psiquiátricos. Os resultados podem ajudar a compreender mecanismos pelos quais experiências estressantes durante a adolescência estão relacionadas a uma maior vulnerabilidade a problemas de saúde mental posteriormente.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo foi realizado em ratos. Portanto, os resultados ajudam a investigar mecanismos biológicos, mas não significam que os mesmos efeitos ocorram necessariamente da mesma maneira em seres humanos.