CentroesteNews
30/05/2025
Anna Vitória Bispo
O advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 em Cuiabá, movimentou cerca de R$ 8,2 milhões em espécie entre setembro de 2019 e março de 2022. Segundo investigações da Polícia Federal, os valores foram utilizados para adquirir decisões judiciais de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um esquema de corrupção que envolvia também o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.
O esquema de corrupção
Zampieri e Gonçalves operavam como intermediários entre clientes e magistrados, oferecendo dinheiro em troca de sentenças favoráveis. A dupla utilizava métodos discretos, como entregas diretas a funcionários do STJ e de Tribunais de Justiça estaduais, para evitar rastreamento bancário e garantir o sigilo das transações .
A descoberta do esquema
O caso veio à tona após a morte de Zampieri, quando a Polícia Federal encontrou em seu celular mais de 5 mil mensagens que detalhavam negociações de decisões judiciais. As conversas indicavam envolvimento de servidores de gabinetes de pelo menos quatro ministros do STJ: Isabel Gallotti, Paulo Moura Ribeiro, Og Fernandes e Nancy Andrighi .
Além disso, investigações apontaram que Gonçalves tinha acesso privilegiado a informações sigilosas de processos no STJ, incluindo documentos compartilhados por assessores de ministros, como Rodrigo Falcão, chefe de gabinete do ministro Og Fernandes .
Repercussões e desdobramentos
O escândalo levou ao afastamento de desembargadores no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, além de servidores do STJ. A Procuradoria-Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a continuidade das investigações, devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado .
O caso segue em apuração, com a expectativa de que novas informações sejam reveladas nos próximos meses.