O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), saiu em defesa da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) após declarações da parlamentar durante a campanha eleitoral sobre a existência do feminicídio.
Durante coletiva de imprensa na Câmara de Cuiabá, nesta terça-feira (7), Abilio afirmou que a fala de Campopiano teria sido interpretada de forma equivocada. Segundo ele, a parlamentar teria tentado diferenciar os assassinatos de mulheres motivados pela condição de gênero dos chamados crimes passionais.
Abilio reconheceu a existência do feminicídio e afirmou que o crime ocorre quando uma mulher é assassinada por razões relacionadas à sua condição de mulher. Ao mesmo tempo, defendeu que homicídios decorrentes de relações passionais, disputas envolvendo facções criminosas e outros tipos de violência tenham suas motivações identificadas separadamente.
Para o prefeito, reunir diferentes circunstâncias em uma mesma classificação pode dificultar a compreensão das causas dos assassinatos. Ele também argumentou que uma diferenciação mais precisa ajudaria a evitar o que classificou como banalização do termo feminicídio.
Dados do Observatório Caliandra mostram que Mato Grosso registrou 338 feminicídios entre 2019 e 2025, uma média de 48 casos por ano. Nos dois primeiros meses de 2026, outros quatro casos foram contabilizados, elevando para 342 o total no período analisado.
Segundo o levantamento, 43% dos crimes ocorreram durante a noite, enquanto 51% foram cometidos com armas brancas e 65% aconteceram dentro de residências. Em 71% dos casos, os autores eram companheiros, namorados, ex-companheiros ou outros parceiros íntimos das vítimas.
O estudo também aponta que 32 vítimas, o equivalente a 9,35% do total, tinham medidas protetivas de urgência contra os agressores quando foram assassinadas. Desde 2022, foram concedidas mais de 71 mil medidas protetivas em Mato Grosso, sendo que 20 mulheres morreram mesmo com a proteção judicial vigente.
Durante a coletiva, Abilio voltou a defender que os homicídios contra mulheres sejam analisados considerando a motivação de cada caso, incluindo situações relacionadas à violência de gênero, crimes passionais e disputas ligadas ao tráfico de drogas.
As declarações do prefeito ocorrem após a repercussão da fala de Eduarda Campopiano durante a campanha eleitoral, quando a então candidata afirmou que “feminicídio não existe”.