A Rede D’Or e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) receberam autorização do Ministério da Educação (MEC) para abrir seu primeiro curso de graduação em Medicina no Rio de Janeiro. A previsão é que a primeira turma comece as atividades em janeiro de 2027, com mensalidades estimadas entre R$ 13 mil e R$ 14 mil.
A autorização foi publicada nesta sexta-feira no Diário Oficial da União e faz parte de uma nova modalidade de expansão do ensino médico no Brasil, que permite a instituições hospitalares e redes de hospitais apresentarem propostas para a criação de cursos de Medicina.
O processo está relacionado ao Chamamento Público nº 5 do MEC, publicado em abril de 2024, com base na Lei dos Mais Médicos, de 2013. A legislação estabeleceu mecanismos para ampliar a formação de profissionais, considerando também a necessidade de organizar a distribuição de cursos e vagas pelo país.
A entrada de grupos hospitalares no ensino superior ocorre em um momento de discussão sobre a qualidade da formação médica. Na última década, o número de faculdades privadas de Medicina cresceu significativamente, levantando questionamentos sobre a capacidade de fiscalização, a estrutura oferecida aos estudantes e a disponibilidade de campos de prática para a formação profissional.
A proposta da Rede D’Or é unir a formação acadêmica à experiência de uma instituição que atua diretamente na assistência hospitalar e na pesquisa. Esse modelo pode aproximar os estudantes da rotina dos serviços de saúde, desde que acompanhado de estrutura adequada, professores qualificados e supervisão durante as atividades práticas.
Outras instituições também planejam cursos
A iniciativa não é isolada. Outras entidades hospitalares também têm projetos em andamento para ingressar no ensino médico. Entre elas estão as Santas Casas de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
O modelo criado pelo MEC estabelece uma via específica para que mantenedoras de hospitais ou redes hospitalares participem da expansão dos cursos de Medicina. A proposta busca aproveitar a estrutura dessas instituições na formação de novos profissionais.
Com a chegada de novos cursos, o desafio será garantir que o aumento de vagas seja acompanhado pela qualidade do ensino, pela infraestrutura necessária e por oportunidades de estágio e atendimento supervisionado. Esses fatores são fundamentais para preparar médicos e assegurar uma formação compatível com as necessidades da população.