O garimpo ilegal avança rapidamente dentro do Parque Nacional do Juruena, no norte de Mato Grosso. Em apenas oito meses, a área afetada pela mineração passou de 10,5 hectares, em agosto de 2025, para 79,5 hectares, em abril de 2026 — um crescimento de aproximadamente 660%.
O avanço foi identificado em uma análise da Amazon Conservation Association e do Instituto Centro de Vida (ICV), com informações do programa MAAP e imagens de satélite de alta resolução.
Além dos impactos ambientais, a expansão do garimpo também aumentou os riscos para os profissionais responsáveis pela proteção da unidade de conservação. Durante uma ação de monitoramento da biodiversidade, Agentes Temporários Ambientais do ICMBio encontraram garimpeiros dentro do parque. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, os invasores fizeram disparos para o alto, levando a equipe a deixar o local. Pelo menos três dos agentes eram indígenas Apiaká.
A valorização do ouro aparece como um dos fatores associados ao avanço da atividade. A baixa presença do Estado e o número reduzido de servidores para fiscalizar uma área extensa e de difícil acesso também dificultam o combate às invasões.
Durante operações de fiscalização, equipes do ICMBio já encontraram estruturas utilizadas na mineração ilegal, como escavadeiras hidráulicas, serraria móvel e barracões. Parte desses equipamentos e estruturas foi inutilizada durante as ações.
Pressão chega perto de território indígena
A expansão do garimpo também preocupa moradores da Terra Indígena Apiaká Pontal e Isolados. Na Aldeia Matrinchã, relatos indicam que as máquinas utilizadas na atividade já podem ser ouvidas pelos moradores.
Há ainda preocupação com uma possível presença de organizações criminosas no garimpo da região. Fontes locais relatam movimentações relacionadas ao crime organizado, mas as imagens de satélite não permitem identificar quem financia ou controla especificamente as operações dentro do parque.
Mercúrio aumenta preocupação ambiental
Outro alerta está relacionado à contaminação por mercúrio. Um estudo citado pela reportagem encontrou sedimentos do Rio São João da Barra com concentração de até 0,55 µg/g da substância, acima do limite de 0,17 µg/g estabelecido pelo Conama.
Especialistas defendem o fortalecimento da fiscalização, o controle da cadeia de comercialização do ouro e o rastreamento dos fluxos financeiros que sustentam a mineração ilegal.
O avanço do garimpo dentro do Parque Nacional do Juruena representa uma ameaça não apenas à conservação da floresta e dos rios, mas também à segurança dos agentes ambientais e à proteção dos territórios indígenas próximos.