A Polícia Federal identificou que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Antônio Stefanutto, utilizava a expressão “forno” como código para tratar da ocultação de propinas obtidas em um esquema de descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Stefanutto foi indiciado pela PF pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a cobranças não autorizadas em benefícios previdenciários.
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De acordo com as investigações, o termo “forno” fazia referência ao processo de “esquentar o dinheiro”, ou seja, dar aparência de legalidade aos valores obtidos de forma ilícita por meio de empresas de fachada. Entre os estabelecimentos utilizados para a movimentação financeira estaria uma pizzaria, apontada pela PF como parte da estrutura empregada para compensar cheques e dificultar o rastreamento dos recursos.
Nas apurações, Stefanutto era identificado pelos demais investigados pelo apelido de “italiano”. Em uma conversa interceptada pela Polícia Federal, datada de 4 de outubro de 2022, o então dirigente do INSS enviou uma mensagem a um dos principais operadores financeiros do esquema afirmando: “Quando puder usar o forno me avisa”.
Segundo a Polícia Federal, a troca de mensagens reforça os indícios de que o grupo utilizava linguagem codificada para tratar da movimentação de recursos provenientes das supostas fraudes, buscando evitar a identificação das operações pelas autoridades.
A Operação Sem Desconto investiga um esquema que teria causado prejuízos a milhares de beneficiários do INSS por meio de descontos associativos realizados sem autorização. As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados.