Foi lançado oficialmente o Projeto Guardiãs da Floresta, uma iniciativa voltada ao fortalecimento do protagonismo feminino na conservação da Amazônia e no desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais. O programa reúne esforços do Instituto Ajuri, com apoio do Instituto Sincronicidade para a Interação Social (Ispis), em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Integrando a programação da Semana do Clima da Amazônia, o projeto coloca no centro das discussões climáticas as mulheres de 15 comunidades do arquipélago do Marajó, no Pará, reconhecendo o papel fundamental que elas desempenham há gerações na preservação da floresta, na manutenção dos modos de vida tradicionais e no uso sustentável dos recursos naturais.
Mulheres no centro das soluções climáticas
O Guardiãs da Floresta parte da premissa de que as mulheres amazônicas exercem funções essenciais para a conservação dos ecossistemas e para a chamada sociobioeconomia, mas ainda enfrentam desafios relacionados à visibilidade, ao acesso a direitos e à participação em espaços de decisão.
A proposta busca ampliar esse protagonismo por meio da formação de uma rede de mulheres ribeirinhas e extrativistas capazes de atuar como lideranças comunitárias, multiplicadoras de conhecimento e agentes de transformação social e ambiental.
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Segundo os organizadores, fortalecer essas lideranças significa também fortalecer a capacidade das comunidades de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Projeto será desenvolvido em três eixos
As ações do programa estão estruturadas em três pilares principais:
- Valorização das trabalhadoras da sociobioeconomia, reconhecendo a importância econômica e ambiental das atividades extrativistas sustentáveis;
- Promoção da saúde integral da mulher, com ações voltadas ao bem-estar físico, mental e social das participantes;
- Direitos e cidadania, incentivando o acesso à informação, ao fortalecimento da participação social e ao exercício da liderança comunitária.
Esses eixos deverão orientar atividades de formação, oficinas, intercâmbio de experiências e fortalecimento das organizações comunitárias.
Sociobioeconomia alia conservação e geração de renda
Grande parte das mulheres envolvidas no projeto atua em atividades ligadas ao extrativismo sustentável, como a coleta de frutos, sementes, óleos vegetais, fibras naturais e outros produtos florestais que geram renda sem provocar a degradação da floresta.
Esse modelo de produção, conhecido como sociobioeconomia, é apontado por especialistas como uma das principais alternativas para conciliar conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social na Amazônia.
Além de contribuir para a proteção dos ecossistemas, essas atividades fortalecem a segurança alimentar, preservam conhecimentos tradicionais e ajudam a manter as famílias em seus territórios.
Amazônia e comunidades tradicionais
O arquipélago do Marajó abriga uma das maiores áreas de ilhas fluviomarinhas do mundo e concentra comunidades que dependem diretamente da floresta e dos rios para sua sobrevivência.
Especialistas destacam que povos tradicionais, ribeirinhos e extrativistas desempenham papel estratégico na conservação da biodiversidade amazônica, sendo responsáveis pela manutenção de extensas áreas preservadas.
Nesse contexto, iniciativas que valorizam a participação das mulheres são consideradas fundamentais para ampliar a justiça climática e fortalecer políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável.