Mais de 50% dos ecossistemas de manguezais existentes no mundo estão sob ameaça crescente e podem entrar em colapso caso não sejam intensificadas as ações de conservação. O alerta faz parte da primeira avaliação global realizada com base na Lista Vermelha de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), considerada uma das principais referências mundiais para medir o estado de conservação dos ambientes naturais.
O levantamento mostra que 19,6% dos manguezais avaliados já se encontram em situação de alto risco, classificados como “Em Perigo” ou “Criticamente em Perigo”, devido à combinação de desmatamento, expansão urbana, poluição, obras de infraestrutura e construção de barragens.
Segundo os pesquisadores, além das ameaças provocadas pela ação humana, as mudanças climáticas estão acelerando a degradação desses ecossistemas, reduzindo sua capacidade de proteger as áreas costeiras e de armazenar carbono.
Mudanças climáticas ampliam o risco
O estudo também aponta que 33% dos manguezais do planeta poderão sofrer impactos severos em decorrência da elevação do nível do mar e do aumento da frequência de tempestades intensas, fenômenos diretamente associados ao aquecimento global.
Esses eventos comprometem a regeneração natural da vegetação, aumentam a erosão costeira e alteram a dinâmica dos estuários, tornando diversas áreas cada vez mais vulneráveis.
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Ao todo, os pesquisadores analisaram 36 regiões diferentes do planeta, avaliando o estado de conservação, as pressões ambientais e o risco de colapso de cada ecossistema.
Brasil apresenta cenário mais favorável, mas exige vigilância
No Brasil, os manguezais se estendem ao longo do litoral, desde o Amapá até Santa Catarina, ocupando áreas onde rios encontram o oceano.
Esses ambientes possuem solos permanentemente alagados e ricos em matéria orgânica transportada pelos rios, formando um dos ecossistemas mais produtivos do planeta.
De acordo com a avaliação da UICN, os manguezais brasileiros foram classificados, de forma geral, como de “menor preocupação” em relação ao risco de colapso, situação considerada significativamente melhor do que a observada em diversas outras regiões do mundo.
No entanto, os especialistas ressaltam que essa classificação não significa ausência de ameaças. Pressões como ocupação irregular do litoral, poluição por resíduos sólidos e esgoto, expansão portuária, desmatamento e mudanças climáticas continuam exigindo políticas permanentes de conservação.
As áreas mais críticas identificadas pelo estudo concentram-se principalmente em partes dos Estados Unidos e da Índia, onde diversos ecossistemas apresentam elevado grau de degradação.
Ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental
Os manguezais desempenham funções essenciais para a manutenção da biodiversidade e para a proteção das populações costeiras.
Esses ambientes funcionam como berçário natural para inúmeras espécies de peixes, crustáceos e moluscos de importância ecológica e econômica, além de servirem como habitat para aves, répteis e mamíferos.
Outra característica estratégica é sua elevada capacidade de capturar e armazenar carbono, contribuindo para reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
Além disso, os manguezais atuam como uma barreira natural contra ressacas, tempestades, ciclones, furacões e a erosão costeira, diminuindo os impactos de eventos climáticos extremos sobre cidades e comunidades litorâneas.
Preservação é considerada prioridade global
Os autores da pesquisa concluem que proteger os manguezais será uma das estratégias mais eficientes para enfrentar simultaneamente a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas.
Segundo o estudo, investir na conservação e recuperação desses ecossistemas gera benefícios ambientais, econômicos e sociais, fortalecendo a segurança alimentar, protegendo comunidades costeiras e aumentando a resiliência diante dos impactos do aquecimento global.
Especialistas destacam que políticas públicas voltadas à restauração de manguezais podem representar uma solução baseada na natureza, capaz de oferecer proteção climática e conservar um dos ecossistemas mais valiosos do planeta.