Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Procon Estadual expôs, nesta quarta-feira (1º), suspeitas graves de violação de direitos de aposentados e pensionistas do INSS em Acorizal. A ação fiscalizou uma loja de móveis que, segundo denúncias, estaria condicionando o saque do benefício previdenciário à compra de produtos no estabelecimento, prática considerada ilegal e que pode caracterizar crime contra a pessoa idosa.
A investigação teve início após o Ministério Público Estadual acionar a Delegacia Especializada do Consumidor (Decon) com informações de que a loja mantinha um caixa eletrônico interno e atraía aposentados da região para receber seus benefícios no local. Entretanto, o atendimento vinha acompanhado de exigências abusivas.
Venda casada e coerção: indícios de crime contra idosos
De acordo com o delegado Rogério Ferreira, titular da Decon, a fiscalização constatou indícios claros de práticas ilegais, incluindo venda casada (quando o fornecedor condiciona a compra de um item ou serviço a outro) e a coerção de idosos para contratar serviços ou adquirir produtos.
“A pessoa tinha um limite de saque de R$ 500 e, se quisesse sacar mais do que isso, era obrigada a fazer compras na loja. O idoso acabava condicionado”, explicou o delegado.
Essa conduta, além de violar o Código de Defesa do Consumidor, também pode configurar crime previsto no Estatuto da Pessoa Idosa, que protege aposentados de práticas abusivas, constrangimento ou qualquer forma de exploração econômica.
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Ação do Procon e abertura de inquérito
Diante das irregularidades encontradas, o Procon Estadual aplicou multa ao estabelecimento, enquanto a Decon instaurou um inquérito para aprofundar a investigação sobre dois possíveis crimes:
- Coagir pessoa idosa a contratar (art. 71 do Estatuto do Idoso);
- Venda casada, proibida pelo art. 39, I, do Código de Defesa do Consumidor.
A loja poderá responder tanto na esfera administrativa quanto criminal.
Risco de exploração financeira e repetição do problema
Casos como o de Acorizal não são isolados. Especialistas em direitos do consumidor apontam que o aumento de pequenas lojas e comércios que instalam caixas eletrônicos ou correspondentes bancários facilita a oferta de serviços financeiros, mas também abre espaço para abusos, especialmente contra idosos, público vulnerável e muitas vezes com dificuldades para acessar bancos tradicionais.
Em muitos municípios menores, aposentados acabam recorrendo a estabelecimentos próximos por conveniência, sem imaginar que possam enfrentar práticas que fujam da legalidade.
O Procon e a Polícia Civil reforçaram que vão intensificar fiscalizações em municípios da Baixada Cuiabana para impedir que situações semelhantes continuem ocorrendo.