Um estudo publicado na revista científica NeuroImage investigou como o cérebro reage ao consumo de vídeos curtos, como Reels do Instagram e Shorts do YouTube, e identificou alterações na atividade de regiões relacionadas ao controle cognitivo.
A pesquisa acompanhou 56 jovens durante sessões de visualização livre de vídeos. Os participantes tiveram acesso a 160 clipes divididos em cinco categorias: ações individuais, interações entre pessoas, animais de estimação, cenas de jogos e paisagens naturais.
Os pesquisadores observaram que o córtex cingulado anterior dorsal (dACC), associado ao controle cognitivo, à tomada de decisões e à identificação de conflitos, apresentou redução significativa de atividade durante a exibição dos vídeos preferidos pelos participantes.
O mesmo ocorreu no córtex pré-frontal dorsolateral (dlPFC), região relacionada à atenção, ao planejamento, à resolução de problemas e ao controle das respostas.
Ao mesmo tempo, a comunicação entre determinadas regiões do córtex e do córtex pré-frontal aumentou durante a visualização, principalmente quando os participantes assistiam aos conteúdos considerados mais agradáveis ou relevantes.
Segundo os pesquisadores, os resultados ajudam a explicar por que determinados conteúdos curtos podem ser especialmente envolventes. A combinação entre estímulos rápidos, preferência individual e gratificação imediata pode alterar temporariamente a forma como as redes de controle cognitivo participam do processamento desses vídeos.
O estudo também encontrou uma relação entre diferenças individuais na atividade dessas regiões e o metabolismo do glutamato, um dos principais neurotransmissores excitatórios do cérebro, importante para processos como aprendizado e memória.
Os pesquisadores ressaltam que o cérebro não responde da mesma maneira a todos os vídeos. O conteúdo considerado mais relevante ou prazeroso parece produzir respostas diferentes daqueles que despertam menor interesse.
Os resultados ajudam a compreender possíveis mecanismos associados ao consumo excessivo de vídeos curtos, mas não significam que assistir a Reels ou Shorts cause, por si só, perda permanente de autocontrole. O estudo observou respostas cerebrais durante a exposição ao conteúdo e aponta associações que ainda precisam ser investigadas em pesquisas maiores e de longo prazo.