A União Europeia publicou nesta terça-feira (12) uma nova lista de países autorizados a continuar exportando carne e produtos pecuários ao bloco dentro das regras europeias de controle sanitário e uso de antibióticos na produção animal. O Brasil, no entanto, ficou de fora da relação.
A decisão aumenta a pressão sobre o agronegócio brasileiro e acende um alerta para setores ligados à pecuária, especialmente diante do endurecimento das exigências sanitárias internacionais.
A medida está relacionada às novas normas da União Europeia para o controle do uso de antimicrobianos na criação animal, tema que vem ganhando destaque global devido ao risco de surgimento de bactérias resistentes a medicamentos.
Entenda a decisão da União Europeia
As novas regras europeias exigem que os países exportadores comprovem sistemas rigorosos de fiscalização, rastreabilidade e controle sobre o uso de antibióticos e antimicrobianos em animais destinados ao consumo humano.
O objetivo da UE é reduzir os riscos da chamada resistência antimicrobiana, considerada pela comunidade científica uma ameaça crescente à saúde pública mundial.
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Segundo autoridades europeias, o uso inadequado de antibióticos na pecuária pode favorecer o desenvolvimento de micro-organismos resistentes, dificultando tratamentos médicos em humanos.
Impacto para o Brasil
Embora a União Europeia seja um parceiro comercial relevante para o Brasil, o bloco não está entre os principais destinos da carne bovina brasileira atualmente.
Grande parte das exportações nacionais é direcionada para mercados como China, Estados Unidos e países do Oriente Médio.
Mesmo assim, especialistas avaliam que a exclusão da lista europeia pode gerar impactos estratégicos e diplomáticos, além de aumentar a pressão internacional sobre os padrões sanitários brasileiros.
O receio do setor produtivo é que outros mercados passem a adotar critérios semelhantes no futuro.
Governo tenta reverter cenário
O governo brasileiro já iniciou adequações nas regras sanitárias para tentar recuperar a autorização europeia. O Ministério da Agricultura e Pecuária trabalha na atualização de protocolos de fiscalização, monitoramento laboratorial e controle do uso de medicamentos veterinários.
O Brasil terá prazo até setembro para apresentar comprovações técnicas e demonstrar conformidade com as exigências da União Europeia.
Representantes do agronegócio afirmam que o país possui estrutura sanitária robusta e capacidade técnica para atender aos novos critérios internacionais.
Debate global sobre antibióticos na pecuária
A discussão sobre o uso de antibióticos em animais vem se intensificando em diversos países. A Organização Mundial da Saúde alerta que a resistência antimicrobiana pode se tornar um dos maiores desafios globais das próximas décadas.
Por isso, mercados internacionais têm ampliado exigências relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e segurança alimentar nas cadeias de produção animal.