A Natura (NATU3) registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, resultado significativamente pior que as perdas de R$ 152 milhões registradas no mesmo período do ano passado.
Os números foram divulgados pela fabricante de cosméticos na segunda-feira (11) e refletem um período de pressão sobre a rentabilidade da companhia em meio a mudanças operacionais e desempenho fraco de marcas importantes do grupo.
Ebitda despenca mais de 55%
O resultado operacional medido pelo Ebitda recorrente — indicador que mede geração operacional de caixa — ficou em R$ 346 milhões entre janeiro e março, uma queda de 55,7% na comparação anual.
Já a receita líquida da empresa somou R$ 4,75 bilhões no trimestre, representando recuo de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a companhia, o resultado foi impactado por:
- mudanças no modelo operacional;
- redução de receitas;
- pressão temporária sobre margens;
- desempenho abaixo do esperado das principais marcas.
Natura e Avon enfrentam dificuldades
A empresa destacou que as marcas Natura e Avon tiveram desempenho fraco no mercado brasileiro durante o trimestre.
No caso da Avon, a companhia afirmou que um processo de relançamento da marca começou em meados de março e ainda deve levar algum tempo para produzir resultados financeiros mais consistentes.
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A Natura vem tentando reposicionar a Avon após anos de desafios ligados à integração operacional e perda de competitividade no setor de cosméticos e venda direta.
América Latina também desacelera
A empresa também apontou dificuldades em outros mercados latino-americanos. Segundo o balanço, o crescimento na região — excluindo Brasil e Argentina — continua prejudicado por uma recuperação considerada lenta.
O cenário econômico internacional, inflação e mudanças no comportamento do consumidor também têm pressionado o setor de beleza e varejo.
Mercado acompanha reestruturação
Nos últimos anos, a Natura passou por uma série de ajustes estratégicos após expansões internacionais e desafios financeiros envolvendo marcas do grupo.
Analistas acompanham de perto:
- a recuperação da Avon;
- reorganização operacional;
- redução de custos;
- desempenho das vendas digitais;
- retomada de margens de lucro.
O mercado avalia que os próximos trimestres serão decisivos para medir a efetividade das mudanças implementadas pela companhia.