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CentroesteNews

27/10/2025

 

O Brasil registra um cenário de fortalecimento linguístico entre povos originários. Dados do Censo Demográfico 2022 (Etnias e Línguas Indígenas), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de indígenas com 5 anos ou mais que falam línguas tradicionais aumentou 47,7% em 12 anos. Em 2010, eram 293.853 falantes. Em 2022, esse número saltou para 433.980.

Esse crescimento também se destaca fora das Terras Indígenas (TIs). O total de falantes indígenas vivendo em áreas urbanas mais que dobrou, passando de 44.590 para 96.685 no mesmo período um aumento de 52.095 pessoas.

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Quando considerados indígenas a partir de 2 anos de idade, o número de falantes chega a 474.856, sendo 78,3% deles vivendo dentro de TIs, o que reforça o papel desses territórios como espaços preservadores da diversidade cultural.

O levantamento também apontou um aumento no número de línguas tradicionais registradas: de 274, em 2010, para 295 línguas utilizadas nos domicílios indígenas em 2022.

Os estados com maior número de falantes são:

  • Amazonas: 137.421

  • Mato Grosso do Sul: 58.901

  • Mato Grosso: 42.511

Ao todo, 1.990 municípios possuem ao menos uma pessoa indígena com 2 anos ou mais que fala uma língua indígena.

Entre os municípios, Manaus concentra o maior número de línguas declaradas (99), seguida de:

  • São Paulo: 78

  • Brasília: 61

Fora das capitais, destacam-se:

  • São Gabriel da Cachoeira (AM): 68 línguas

  • Altamira (PA): 33

  • Iranduba (AM): 31

Entre os idiomas indígenas mais falados no país, destacam-se:

Língua Falantes % em Terras Indígenas
Tikúna 51.978 87,7%
Guarani Kaiowá 38.658 81,8%
Guajajara 29.212 90,4%
Nheengatu (mais presente em áreas urbanas) 13.070 41,9% em cidades

Embora o número absoluto de falantes tenha crescido, proporcionalmente houve queda na comparação com o total da população indígena.

  • Em 2010, 37,35% dos indígenas falavam línguas nativas.

  • Em 2022, essa proporção caiu para 28,51%.

Ou seja, mais indígenas vivem no país hoje, mas uma parcela menor utiliza sua língua tradicional no cotidiano reflexo da expansão da influência do português.

Nas Terras Indígenas, entretanto, o movimento é inverso:

  • De 57,35% para 63,22% em 12 anos evidenciando um importante esforço de preservação cultural.

Segundo o IBGE, o fortalecimento das línguas está diretamente relacionado a políticas de educação indígena e à valorização cultural promovida pelos próprios povos.

A alfabetização, porém, é um ponto sensível. Se baseada apenas no português, pode acelerar a perda linguística. Contudo, quando estruturada em modelo bilíngue ou em língua indígena, fortalece identidades e autonomia cultural.

A oficialização destas línguas nos municípios:

  • Favorece o acesso aos serviços públicos

  • Permite tradução de documentos

  • Viabiliza intérpretes em escolas, hospitais e repartições

  • Fortalece a cidadania indígena

“A valorização linguística é garantia de direitos e de pertencimento”, destaca Fernando Damasco, gerente de Territórios Tradicionais e Áreas Protegidas do IBGE.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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