O PP decidiu manter a neutralidade na disputa presidencial e vetou a tentativa da senadora Tereza Cristina (MS) de se tornar candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada por maioria após uma consulta aos diretórios estaduais, provocada pela própria senadora, que havia comunicado a aliados estar disposta a aceitar o posto. O movimento contrariava a posição já transmitida a Flávio pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, na semana passada.
Com o resultado, o partido também decidiu não convocar uma convenção nacional para discutir o ingresso na chapa do PL. Em nota oficial, a direção informou que a decisão já foi comunicada e acatada por Tereza Cristina.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do PP classificaram a movimentação de Flávio como uma espécie de chantagem. A avaliação interna é que o presidenciável tentou criar um fato consumado em torno do nome da senadora, aumentando o custo político para que o partido revertesse a neutralidade.
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Dirigentes compararam a estratégia à adotada por Flávio em relação ao Republicanos, quando passou a defender a ex-presidente da Caixa Daniella Marques para a vice sem o aval da cúpula da legenda. Na leitura desses integrantes, nos dois casos o candidato tentou avançar sobre nomes de outros partidos para forçar as direções a embarcar em sua candidatura.
No caso do Republicanos, a pressão era ainda maior: Daniella havia se filiado à legenda sem o conhecimento do presidente do partido, Marcos Pereira. Como o prazo para troca de partido já havia se encerrado em abril, ela não poderia mais migrar para outra sigla, o que colocava Pereira contra a parede diante da investida do PL. Agora, com o PP fora do jogo, Flávio segue sem um nome definido para a vice e com o tabuleiro eleitoral cada vez mais apertado.