O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça tornou públicos nesta quinta-feira (30) os detalhes da investigação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, suspeito de ter recebido propina para beneficiar o Banco Master. Os documentos revelam uma relação de proximidade incomum entre o parlamentar e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, também investigado por supostas fraudes financeiras.
A PF identificou 74 chamadas de áudio entre Wagner e Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas e meia de conversas pelo WhatsApp. Para os investigadores, a quantidade de ligações — em detrimento de mensagens escritas — indica uma relação de proximidade que vai além do contato profissional eventual. Em uma das trocas de mensagens, a esposa de Wagner escreveu a Lima: “A gente ama vcs”. O banqueiro respondeu: “Amamos vocês!! Bj no coração”.
O relatório policial também aponta que Lima convidou Wagner e familiares para visitar a Ilha da Paixão, no litoral baiano, disponibilizando uma aeronave particular para levar o senador. Em outro trecho, a PF destaca a compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift: em agosto de 2023, foram dois ingressos no valor total de R$ 63,3 mil; em novembro do mesmo ano, mais cinco ingressos para camarote, avaliados em R$ 3,5 mil.
Os brindes de fim de ano também chamaram a atenção dos investigadores. Garrafas de vinho com valores entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil foram distribuídas por Lima a figuras relevantes da política baiana, incluindo Wagner, o ex-governador Rui Costa, o governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito de Salvador, Bruno Reis. A PF afirma que os brindes foram efetivamente enviados e que, embora os valores sejam modestos comparados às cifras das fraudes investigadas, podem caracterizar concessão de vantagens em razão da função pública.
Em troca da suposta atuação política em benefício do Master — especialmente na ampliação da margem do crédito consignado, que interessava ao banco —, Wagner teria recebido um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões para empresas de familiares, segundo as apurações. A PF também cita encontros entre Wagner e Lima no gabinete do senador em datas importantes para a tramitação de matérias de interesse do banco no Congresso.
Em um dos áudios obtidos pela polícia, Wagner diz a Lima que marcaria uma reunião com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e sugere que o encontro ocorresse em seu gabinete, que classificou como “o mais protegido e discreto”. Messias nega ter participado de qualquer reunião com Lima no local. Procurado, Wagner disse estar “tranquilo” com as investigações e afirmou que provará sua inocência.