A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou um relatório que critica duramente a chamada Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 no Rio de Janeiro. Segundo o documento, a ação policial resultou em 122 mortes e não apresentou resultados efetivos no combate ao crime organizado.
A operação foi conduzida pelas forças de segurança do Rio de Janeiro e se concentrou principalmente na região da Penha. Imagens que circularam após a ação mostraram corpos enfileirados em uma rua do bairro, cenário que gerou forte repercussão nacional e internacional.
De acordo com a comissão, a operação ampliou o sofrimento das comunidades afetadas e reforçou a desconfiança da população em relação às instituições públicas.
No relatório, a CIDH afirma que a Operação Contenção reflete um padrão histórico de segurança pública no Brasil baseado em ações policiais de grande escala, militarização de territórios e uso excessivo da força.
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Segundo os investigadores, operações com alto número de mortes não produzem redução estrutural do crime organizado. O documento destaca que integrantes de grupos criminosos costumam ser rapidamente substituídos, permitindo a continuidade das redes ilegais.
Para a comissão, esse tipo de intervenção pode gerar graves violações de direitos humanos sem apresentar resultados duradouros na redução da criminalidade.
Durante a elaboração do relatório, integrantes da CIDH visitaram o Rio de Janeiro em dezembro de 2025. A equipe se reuniu com autoridades públicas, organizações da sociedade civil, especialistas em segurança pública, defensores de direitos humanos e familiares de vítimas da operação.
O levantamento também utilizou dados de instituições públicas e registros jornalísticos sobre o caso.
Segundo o documento, foram identificadas falhas importantes nas investigações, como:
ausência de preservação adequada de cenas de crime;
fragilidades na independência das perícias;
problemas na cadeia de custódia de provas;
alto índice de arquivamento de investigações relacionadas a mortes em operações policiais.
A CIDH tem como missão acompanhar a situação dos direitos humanos nas Américas e pode encaminhar casos de violações à Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Brasil já foi condenado internacionalmente em episódios históricos como os massacres de Massacre de Acari e Massacre de Nova Brasília.
Recomendações ao Estado brasileiro
O relatório recomenda mudanças estruturais na política de segurança pública. Entre as principais medidas sugeridas estão:
priorizar políticas de prevenção e inclusão social em territórios vulneráveis;
ampliar investimentos em inteligência financeira para rastrear redes criminosas;
fortalecer o controle sobre o tráfico de armas;
revisar protocolos das forças de segurança para alinhá-los às normas internacionais de direitos humanos;
garantir autonomia institucional aos órgãos periciais;
ampliar o controle externo do Ministério Público sobre a atividade policial;
melhorar a produção e transparência de dados estatísticos sobre violência.
A comissão também recomenda investigações independentes sobre todas as mortes relacionadas à operação, além de medidas de reparação às vítimas e seus familiares.
Operação mobilizou milhares de policiais
A Operação Contenção foi considerada pelo governo estadual como uma ação para conter o avanço da facção criminosa Comando Vermelho.
A ofensiva mobilizou cerca de 2,5 mil policiais, com cumprimento de 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, alguns deles expedidos pela Justiça do Pará.
Durante a ação, foram registradas 113 prisões, apreensão de 118 armas e cerca de uma tonelada de drogas.
Apesar desses resultados, organizações sociais e moradores das comunidades afetadas classificaram a operação como uma chacina, denunciando possíveis execuções e violações de direitos humanos.