O Tocantins vem se destacando pela rica diversidade de abelhas nativas. Um levantamento realizado pelo grupo de pesquisa BeeTech, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), já identificou cerca de 220 espécies no estado, número que ainda pode crescer, já que novos exemplares seguem em fase de análise pelos pesquisadores.
Criado em 2016 pelo biólogo Waldesse Piragé, o BeeTech nasceu com a proposta de ampliar o conhecimento científico sobre as abelhas nativas da região. Desde então, a equipe realiza expedições em diferentes áreas do Tocantins para coletar, catalogar e estudar espécies, contribuindo para o mapeamento da biodiversidade local.
Além das pesquisas, o grupo promove ações de educação ambiental por meio do projeto Polinizando o Saber, que leva informações a estudantes, produtores rurais e comunidades sobre a importância das abelhas para os ecossistemas e para a agricultura.
Os pesquisadores destacam que esses insetos desempenham papel essencial na polinização de plantas nativas e de diversas culturas agrícolas, favorecendo a produção de alimentos e a conservação da biodiversidade. Muitas espécies brasileiras, inclusive, não possuem ferrão e algumas produzem mel em menor quantidade, com características próprias de cada região.
Apesar da relevância ecológica, as abelhas enfrentam ameaças como o desmatamento, a expansão das monoculturas, as queimadas e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Segundo os especialistas, algumas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem descritas pela ciência.
Como forma de incentivar a conservação e gerar renda, o BeeTech também orienta comunidades sobre a criação sustentável de abelhas sem ferrão, unindo preservação ambiental, pesquisa científica e desenvolvimento econômico.