Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (6) na revista científica Nature indica que casos graves de Covid-19 podem reativar vírus que permanecem em estado de latência no organismo por muitos anos. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno esteve associado tanto ao agravamento da infecção quanto ao desenvolvimento da chamada Covid longa.
O estudo acompanhou mais de mil pacientes hospitalizados entre 2020 e o início de 2021. Os resultados mostraram que quase metade dos participantes apresentou reativação de vírus já presentes no organismo, como o Epstein-Barr, o citomegalovírus, o herpes simples e os anelovírus.
Esses vírus costumam infectar as pessoas ainda na infância ou adolescência e, após a infecção inicial, permanecem inativos dentro das células. Em condições normais, o sistema imunológico mantém esses microrganismos sob controle, impedindo sua reativação.
Para investigar a relação com a Covid-19, os cientistas analisaram amostras de sangue, secreções nasais e fluidos pulmonares dos pacientes internados. A pesquisa identificou que a reativação varia conforme o tipo de vírus. Enquanto o Epstein-Barr e os anelovírus tendem a reaparecer logo após a internação, o citomegalovírus e o herpes simples costumam ser detectados semanas depois, principalmente nas vias respiratórias.
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores é que a reativação desses vírus também foi observada em pacientes sem doenças que comprometem o sistema imunológico, sugerindo que a infecção grave pelo coronavírus pode alterar temporariamente a capacidade de defesa do organismo.
Os autores ressaltam que os resultados ajudam a compreender melhor os mecanismos envolvidos nas formas graves da Covid-19 e poderão contribuir para futuras estratégias de tratamento e prevenção da Covid longa.