O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou a ampliação dos recursos destinados a projetos de segurança pública na América Latina e no Caribe, elevando o financiamento previsto de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões entre 2026 e 2028. A decisão ocorreu após uma demanda maior que a esperada pelos países da região para ações de combate à violência e ao crime organizado.
O anúncio foi feito durante a abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, realizada em Brasília. Segundo o presidente do BID, Ilan Goldfajn, cerca de 60% das metas planejadas para três anos da iniciativa já haviam sido alcançadas em apenas um ano, o que motivou a ampliação dos investimentos.
Durante o evento, Goldfajn destacou que a América Latina e o Caribe possuem um dos maiores desafios globais na área de segurança. Apesar de concentrarem aproximadamente 8% da população mundial, os países da região registram uma parcela significativa dos homicídios cometidos no mundo.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, defendeu que o enfrentamento ao crime organizado deve ir além do combate direto às ações violentas. Segundo ele, é necessário atingir a estrutura financeira das organizações criminosas, que utilizam redes internacionais e sistemas financeiros para movimentar recursos.
A cúpula também marcou a entrada da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado. A parceria prevê apoio técnico, troca de informações e fortalecimento das operações dos países que enfrentam situações emergenciais relacionadas à segurança.
Além disso, o governo brasileiro e o BID discutiram um acordo de cooperação que pode disponibilizar até R$ 5 bilhões para o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Os recursos devem ser destinados ao aprimoramento das investigações, segurança prisional, combate ao tráfico de armas e ao enfraquecimento financeiro das facções criminosas.