Um estudo sobre a dinâmica do desmatamento em Apuí, no sul do Amazonas, aponta que a expansão da pecuária passou a apresentar retornos financeiros elevados para diferentes perfis de proprietários de terra, criando novos incentivos econômicos para a abertura de áreas de pastagem.
Pesquisas realizadas em períodos anteriores indicavam que a pecuária na Amazônia frequentemente apresentava margens de lucro reduzidas ou negativas e dependia, em parte, de subsídios públicos e da valorização das terras para se tornar economicamente atrativa.
Os dados analisados em 2021, porém, apontaram uma mudança nesse cenário. Segundo os pesquisadores, a combinação entre preços elevados da carne bovina, especulação imobiliária e um ambiente político considerado mais permissivo ao desmatamento contribuiu para tornar a expansão das pastagens mais rentável.
O estudo reuniu 46 participantes, entre pequenos, médios e grandes proprietários ou detentores de terras. De acordo com os relatos coletados, o grupo obteve uma receita total de aproximadamente US$ 1,46 milhão com a atividade pecuária em 2020.
Para os autores, a rentabilidade identificada pode estimular novos investimentos na abertura de pastagens e contribuir para a expansão da fronteira pecuária em Apuí.
A pesquisa também reforça que o desmatamento na Amazônia não está relacionado a uma única causa. Preços das commodities, valorização das terras, políticas públicas, fiscalização e expectativas econômicas locais podem se combinar e influenciar decisões sobre a conversão da floresta.
Na avaliação dos pesquisadores, compreender esses incentivos econômicos é fundamental para a elaboração de políticas públicas capazes de reduzir o desmatamento de maneira duradoura, considerando tanto a atividade produtiva quanto a conservação ambiental.