CentroesteNews
03/12/2025
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), atualizou a classificação de três substâncias muito usadas na agricultura brasileira, acendendo um sinal de alerta para riscos à saúde pública. Os herbicidas atrazina e alachlor passaram a ser considerados “provavelmente cancerígenos para humanos” (Grupo 2A). Já o fungicida vinclozolin foi incluído como “possivelmente cancerígeno” (Grupo 2B).
A reavaliação, publicada na revista The Lancet Oncology, reuniu dados epidemiológicos, estudos com animais e análises de mecanismos biológicos associados ao desenvolvimento de tumores.
A atrazina, um dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil, apresentou ligação com um subtipo de linfoma não Hodgkin, especialmente em indivíduos com determinadas alterações genéticas. Em animais, a substância provocou:
aumento na formação de tumores,
estresse oxidativo,
inflamação,
disfunções hormonais,
impactos negativos no sistema imunológico.
O herbicida alachlor também demonstrou associação com casos de câncer de laringe em trabalhadores que aplicavam pesticidas, além de provocar tumores em modelos animais. Assim como a atrazina, ele interfere em funções celulares essenciais, como controle de morte e proliferação das células.
O fungicida vinclozolin, apesar de uma classificação menos severa, apresentou sinais suficientes para ser considerado possivelmente cancerígeno.
Os três compostos já são proibidos na União Europeia, mas continuam liberados e amplamente aplicados no campo brasileiro. Especialistas alertam que o país, maior consumidor de agrotóxicos do mundo, precisa revisar urgentemente:
normas de exposição,
regras de rotulagem,
proteção aos trabalhadores rurais,
monitoramento de contaminação da água, solo e alimentos.
A presença dessas substâncias em rios e reservatórios, somada ao uso intenso na agricultura, amplia as preocupações sobre impactos ambientais e de longo prazo na saúde da população.
A organização destaca que a nova classificação não define o risco individual imediato, mas representa uma base científica sólida para orientar futuras decisões regulatórias. O objetivo é subsidiar políticas mais rigorosas e incentivar alternativas menos tóxicas na agricultura.