A poluição por plástico chegou a uma das regiões mais remotas e preservadas do planeta. Pesquisadores identificaram, pela primeira vez, a presença de nanoplásticos em solos da Antártica, revelando que partículas extremamente pequenas de materiais plásticos já alcançaram ambientes considerados praticamente intocados pela atividade humana.
A descoberta foi feita nos Vales Secos de McMurdo, a maior região livre de gelo do continente antártico. O local é marcado por temperaturas extremas, pouca precipitação e solos extremamente secos, condições que fazem da região um dos ambientes mais áridos da Terra.
Os nanoplásticos foram encontrados em 54% das amostras coletadas na superfície e em 50% das amostras provenientes de camadas mais profundas do solo. As concentrações chegaram a 295 nanogramas por grama de solo.
Ao todo, foram identificados seis tipos de materiais, incluindo polipropileno, polietileno, PET, poliestireno, PVC e partículas associadas ao desgaste de pneus. O polipropileno foi o material mais abundante, representando aproximadamente 40% da massa de partículas identificadas.
Os pesquisadores também investigaram como materiais tão pequenos conseguiram chegar a uma região tão isolada. As simulações apontam para uma combinação de possíveis fontes.
Entre elas estão atividades realizadas em estações de pesquisa e o turismo na região, que podem contribuir para a presença local de partículas. Outra possibilidade é o transporte atmosférico de longa distância, pelo qual partículas produzidas em outras partes do planeta podem viajar grandes distâncias.
O derretimento do gelo também pode contribuir para a redistribuição desses materiais. Depois de liberadas, as partículas podem ser transportadas pelos fortes ventos característicos da Antártica e alcançar diferentes áreas do continente.
Por apresentarem menos de um micrômetro, os nanoplásticos possuem elevada mobilidade no ambiente e podem interagir com organismos e outros contaminantes. Os possíveis impactos dessa presença sobre os ecossistemas polares, entretanto, ainda não são completamente conhecidos e precisam ser investigados.
A descoberta reforça a dimensão global da poluição por plástico. Mesmo um dos ambientes mais isolados e extremos da Terra já apresenta sinais da presença de materiais produzidos e utilizados em diferentes partes do planeta.