As florestas tropicais podem representar uma fonte de valor econômico e científico ainda pouco explorada para o desenvolvimento de novos medicamentos. Um estudo da Zero Carbon Analytics (ZCA) estima que substâncias químicas de interesse especial presentes nessas áreas podem representar centenas de bilhões de dólares em potencial comercial.
Segundo a análise, somente as plantas com flores existentes nas florestas tropicais podem guardar uma mediana estimada de US$ 714 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 3,7 trilhões, em valor comercial ainda não descoberto para o desenvolvimento de novos medicamentos.
A estimativa varia de US$ 382 bilhões, aproximadamente R$ 2 trilhões, a US$ 1,17 trilhão, cerca de R$ 6 trilhões. Os valores consideram o potencial das chamadas substâncias químicas de interesse especial, conhecidas pela sigla DSI em inglês, presentes nas espécies vegetais.
O estudo destaca, porém, que o possível valor econômico é apenas uma parte dos benefícios associados à biodiversidade. Considerando o impacto potencial para a saúde pública e os pacientes, o valor social dessas descobertas poderia chegar a aproximadamente US$ 7 trilhões, ou R$ 36 trilhões.
As florestas tropicais são reconhecidas como importantes fontes de compostos naturais utilizados pela ciência na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos. Muitas espécies ainda não foram estudadas de maneira aprofundada, o que significa que parte significativa de seu potencial farmacêutico permanece desconhecida.
O desmatamento e a degradação desses ambientes, no entanto, ameaçam esse patrimônio biológico. A perda de espécies pode eliminar moléculas e características genéticas que poderiam futuramente contribuir para o desenvolvimento de tratamentos contra diferentes doenças.
O levantamento reforça, assim, que a preservação das florestas tropicais não está relacionada apenas à proteção ambiental. A conservação da biodiversidade também pode representar uma estratégia de longo prazo para a ciência, a inovação e a saúde pública.
Para países que abrigam grandes áreas de florestas tropicais, como o Brasil, o cenário evidencia a importância de conciliar conservação ambiental, pesquisa científica e uso sustentável da biodiversidade.