CentroesteNews
16/01/2026
A atuação de milícias armadas ligadas ao chavismo tem se consolidado como um dos principais instrumentos de controle social na Venezuela, operando à margem de qualquer fiscalização efetiva e substituindo, na prática, a presença do Estado em diversas regiões do país. Esses grupos paramilitares atuam sem controle policial, impedem qualquer possibilidade de manifestação pública e disseminam o medo entre a população civil.
Conhecidas popularmente como colectivos, essas milícias são formadas por civis armados que se apresentam como defensores da “revolução bolivariana”, mas que, na prática, funcionam como forças de intimidação política. Moradores relatam que protestos são rapidamente dissolvidos não por forças oficiais de segurança, mas por homens armados em motocicletas, sem identificação e agindo com total impunidade.
Organizações internacionais de direitos humanos têm alertado que a presença constante desses grupos elimina o direito básico à livre manifestação. Em muitos bairros, qualquer tentativa de reunião pública é interpretada como ato de oposição ao regime, resultando em ameaças, agressões físicas e detenções arbitrárias. O simples compartilhamento de críticas ao governo nas redes sociais pode levar à perseguição direta por parte dessas milícias.
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O medo imposto vai além dos protestos. Há denúncias recorrentes de que os colectivos controlam o acesso a serviços básicos, como distribuição de alimentos e combustíveis, utilizando esses recursos como mecanismo de coerção política. Em áreas mais vulneráveis, a população se vê obrigada a demonstrar apoio ao governo para evitar retaliações, criando um ambiente de submissão forçada.
Especialistas apontam que a ausência de controle policial sobre essas milícias revela uma estratégia deliberada do regime chavista para manter o poder. Ao terceirizar a repressão, o governo reduz sua exposição institucional direta, ao mesmo tempo em que garante a neutralização rápida de qualquer mobilização social contrária.
Esse cenário contribui para o esvaziamento do espaço democrático no país e reforça denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos. Para muitos venezuelanos, a presença ostensiva de milícias armadas simboliza não apenas a repressão política, mas a perda do direito de viver sem medo.