CentroesteNews
28/01/2026
O Brasil registrou, em 2025, uma média alarmante de 66 crianças e adolescentes desaparecidos por dia, segundo dados consolidados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça. Ao longo do ano, foram 23.919 registros de desaparecimento de pessoas com até 17 anos, um aumento de 8,27% em relação a 2024.
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Os números revelam um recorte preocupante: meninas e adolescentes do sexo feminino correspondem a 61,2% dos casos. O dado contrasta com o panorama geral dos desaparecimentos no país — considerando todas as idades — em que 59% dos registros envolvem homens, evidenciando maior vulnerabilidade feminina na infância e adolescência.
As ocorrências envolvem múltiplas situações, como conflitos familiares, evasão do lar, violência, exploração e outros contextos de risco. Pela Lei nº 13.812/2019, é considerada desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente do tempo ou da causa.
Estados com maiores taxas
Entre as unidades da Federação, Roraima lidera a taxa de desaparecimentos de menores de 17 anos, com 40 casos por 100 mil habitantes, seguida por Rio Grande do Sul (28) e Amapá (24). Do total registrado em 2025, 64,61% dos casos foram solucionados, o equivalente a 15.455 pessoas localizadas, embora o número diário de novos registros permaneça elevado.
Ferramentas de resposta rápida, como o Alerta Amber, ainda têm uso limitado no Brasil, reacendendo o debate sobre a necessidade de integração entre forças de segurança e respostas mais ágeis.
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Caso do Maranhão expõe a gravidade
A realidade ganhou repercussão nacional com o desaparecimento dos irmãos Ágata Isabelle (6) e Allan Michael (4), no interior do Maranhão. As crianças sumiram em 4 de janeiro, após entrarem em uma área de mata em Bacabal. Desde então, buscas mobilizam forças de segurança, voluntários, drones, cães farejadores e apoio aéreo e terrestre.
Orientações e política nacional
O Ministério da Justiça mantém a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, que inclui o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) e uma cartilha com orientações às famílias. A recomendação central é registrar o boletim de ocorrência imediatamente — não é preciso esperar 24 horas.
A campanha “Não espere 24h” reforça que a notificação rápida aumenta as chances de localização. As orientações incluem fornecer dados completos da criança, evitar divulgar contatos pessoais em redes sociais e adotar medidas preventivas, como definir pontos de encontro, monitorar o uso da internet e manter documentos atualizados.
Os dados referem-se a 2025. O Ministério da Justiça informou que, no fechamento do banco, alguns estados ainda não haviam enviado informações completas.